Equipa Sinodal portuguesa aponta comunhão e corresponsabilidade como desafios para a Igreja na Europa

A comunhão, a corresponsabilidade dos batizados e a centralidade da missão estão entre os principais desafios para o futuro do processo sinodal na Europa, segundo a Equipa Sinodal da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que participou, de 14 a 17 de setembro, em Wels, na Áustria, no simpósio europeu Shaping Synodality in Europe: From Vision to Roadmap.

O encontro reuniu cerca de 180 participantes de 31 países e 29 Conferências Episcopais, no âmbito da fase de implementação do Sínodo sobre a Sinodalidade. Cinco anos depois do início do processo sinodal, o simpósio procurou avaliar o caminho percorrido e identificar prioridades para a sua concretização nas Igrejas europeias.

No balanço da participação portuguesa, a equipa da CEP destaca que a sinodalidade tem avançado de formas e a ritmos diferentes nas várias Igrejas locais. Esta diversidade, considera, não constitui um obstáculo à comunhão. Mudanças na escuta, nas relações, na participação e na vida das comunidades são apontadas como sinais concretos do caminho já realizado.

A reflexão destaca também os desafios colocados por uma Europa marcada pela fragmentação, solidão, polarização, nacionalismos e perda de confiança nas instituições. Perante este cenário, as comunidades cristãs são chamadas a constituírem espaços de encontro, reconciliação e acolhimento da diversidade.

Outro dos aspetos sublinhados é a corresponsabilidade de todos os batizados. A equipa portuguesa recorda que o Batismo confere igual dignidade e chama todos à participação na missão da Igreja, embora através de responsabilidades e ministérios diferentes.

A sinodalidade não é apresentada como substituição da autoridade, mas como um caminho para renovar o seu exercício e alargar a participação no discernimento e na missão.

A Equipa Sinodal da CEP alerta, contudo, que a sinodalidade não pode tornar-se um objetivo em si própria. A sua finalidade permanece a missão e o anúncio de Jesus Cristo, particularmente numa Europa secularizada, envelhecida e culturalmente diversa.

Mais do que criar novas estruturas, o desafio passa pela formação de comunidades vivas, acolhedoras, fraternas e missionárias.

A reflexão deixa uma pergunta como síntese do caminho a percorrer: «Se a Europa encontrasse hoje a Igreja através de nós, encontraria Cristo?»

A fase de implementação do Sínodo sobre a Sinodalidade decorre entre 2025 e 2028, envolvendo as Igrejas locais na concretização das orientações resultantes do percurso sinodal.

Por: Sérgio Carvalho (sergiocarvalho@jornal360.pt)

spot_imgspot_imgspot_imgspot_img
spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

Assinar newsletter

Mais conteúdos
Artigos relacionados

Penafiel reúne profissionais da região para debater respostas à pobreza

Encontro promovido pelo município juntou técnicos da área social...

Hospital de São João começa a operar ancas e joelhos com ajuda de robôs

Nova tecnologia permite planear intervenções de forma individualizada e...

Projeto do IPO Porto vence prémio europeu e já beneficiou mais de 1.500 doentes

Iniciativa desenvolvida com o i3S conquistou o Prémio do...

28 alunos de Paços de Ferreira escrevem conto publicado em antologia nacional

Estudantes da Escola Secundária de Paços de Ferreira participaram...