Festival literário decorre de 20 a 25 de outubro e homenageia o escritor timorense Luís Cardoso. Programa inclui concertos, exposições, cinema, teatro e encontros com autores
Penafiel prepara-se para receber seis dias dedicados à literatura e à cultura lusófona com a 19.ª edição da Escritaria, que decorre entre 20 e 25 de outubro. O festival homenageia este ano o escritor timorense Luís Cardoso, numa programação que reúne nomes como Dulce Pontes, Sérgio Godinho, Ondjaki, João Gil e D. Américo Aguiar.
O Ponto C – Cultura e Criatividade será o principal palco do evento, que se estende também às escolas, à Biblioteca Municipal e a diferentes espaços públicos da cidade.
A edição de 2026 terá como temas centrais a memória, a identidade, o exílio, a resistência e a liberdade, numa homenagem à obra de Luís Cardoso e à história de Timor-Leste.
Nascido em Kailako, em 1958, o escritor chegou a Portugal em 1975, na sequência da invasão indonésia do território timorense. Estreou-se na literatura com «Crónica de Uma Travessia», em 1997, e conquistou o Prémio Oceanos em 2021 com «O Plantador de Abóboras».
Um dos momentos simbólicos da Escritaria está marcado para 23 de outubro, com a inauguração de uma homenagem pública ao escritor no Jardim do Sameiro. Na mesma noite, Dulce Pontes atua no auditório do Ponto C, pelas 22 horas.
No dia seguinte, o programa inclui uma entrevista de vida a Luís Cardoso, conduzida pela jornalista Ana Sousa Dias, e uma homenagem a Luís Represas e à canção «Timor», dos Trovante, que se tornou um símbolo da solidariedade portuguesa com o povo timorense.
O encerramento, a 25 de outubro, contará com um concerto de Sérgio Godinho, acompanhado pelo pianista Filipe Raposo, às 17 horas, no Ponto C.
Ao longo dos seis dias, a programação inclui ainda debates literários, exposições, cinema, teatro e atividades dirigidas às famílias e à comunidade escolar. O escritor homenageado visitará escolas do concelho, proporcionando aos alunos um contacto direto com a sua obra.
Entre os convidados encontram-se também a cantora palestiniana Mona Miari e a escritora Shahd Wadi, numa edição que procura estabelecer pontes entre diferentes culturas e experiências de resistência.
Criada em 2008, a Escritaria homenageia anualmente um escritor vivo de língua portuguesa, transformando Penafiel num espaço de encontro entre a literatura, os autores e os leitores.

