Apesar da legislação portuguesa garantir o acesso de cães de assistência a espaços públicos, continuam a existir situações de discriminação que dificultam o dia a dia de muitas pessoas com deficiência. O alerta é da ÂNIMAS – Associação Portuguesa para a Intervenção com Animais de Ajuda Social, a única entidade nacional reconhecida pela Assistance Dogs International (ADI) para formar e entregar gratuitamente cães de assistência.
A associação juntou-se à campanha internacional #BetterTogether, que será assinalada durante a Semana Internacional do Cão de Assistência, entre 2 e 8 de agosto, com o objetivo de sensibilizar a sociedade para a importância destes animais e para a necessidade de garantir o cumprimento dos direitos dos seus utilizadores.
Segundo a ÂNIMAS, continuam a verificar-se dificuldades no acesso a transportes, restaurantes, hospitais e outros espaços públicos, muitas vezes devido ao desconhecimento da legislação ou à falta de formação de alguns profissionais.
O presidente da associação, Abílio Leite, considera que Portugal dispõe de uma das melhores legislações nesta matéria, mas defende que é necessário reforçar a sua regulamentação e apostar na sensibilização de entidades públicas e privadas, nomeadamente das empresas de segurança.
A campanha destaca ainda o impacto que os cães de assistência têm na vida das pessoas com diversidade funcional. É o caso de Tiago, utilizador de um cão treinado pela ÂNIMAS, que descreve o animal como um apoio indispensável, tanto nas tarefas do dia a dia como nos momentos de maior exigência emocional.
Fundada em 2002, a ÂNIMAS já entregou 75 cães de assistência a pessoas com diferentes tipos de incapacidade, entre elas autismo, epilepsia, diabetes, surdez e doenças neuromusculares. Para além deste trabalho, desenvolve programas de intervenção assistida por animais, tendo realizado, só em 2024, mais de 99 mil visitas a hospitais, escolas e lares em todo o país.
Com a campanha #BetterTogether, a associação pretende reforçar a importância de acolher e respeitar as duplas constituídas por utilizador e cão de assistência, lembrando que estes animais representam muito mais do que companhia: são um instrumento essencial de autonomia, inclusão e qualidade de vida.


