Uma religiosa das Missionárias da Caridade, congregação fundada por Santa Teresa de Calcutá, foi absolvida por um tribunal indiano após oito anos de um processo judicial relacionado com alegadas acusações de tráfico de menores. A decisão, proferida a 18 de junho pelo Tribunal Distrital de Ranchi, no estado de Jharkhand, colocou fim a um dos casos mais mediáticos envolvendo a Igreja Católica na Índia nos últimos anos.
A irmã Concilia e duas colaboradoras de um lar para mães solteiras administrado pelas Missionárias da Caridade tinham sido detidas em julho de 2018, após denúncias de alegada venda de um recém-nascido a um casal. O caso ganhou repercussão internacional e levou as autoridades indianas a desencadear inspeções em diversos centros da congregação espalhados pelo país.
Segundo responsáveis da Igreja Católica na Índia, o processo foi marcado por acusações consideradas infundadas e por um clima de hostilidade contra instituições cristãs. A Conferência Episcopal Indiana acolheu com satisfação a decisão judicial, sublinhando que o tribunal rejeitou as acusações apresentadas contra a religiosa e as suas colaboradoras.
A irmã Concilia chegou a permanecer 14 meses em prisão preventiva antes de obter liberdade sob caução. Durante este período, o caso foi frequentemente apontado por líderes católicos como exemplo das dificuldades enfrentadas pelas minorias cristãs em algumas regiões da Índia.
A secretária-geral das Missionárias da Caridade, irmã Concettina, manifestou gratidão pela decisão, afirmando que a congregação recebeu a notícia com alegria e espírito de ação de graças. Também o arcebispo de Ranchi, Vincent Aind, considerou que terminou finalmente uma provação que se prolongou durante oito anos.
Apesar da relevância da sentença, responsáveis eclesiais lamentam que a absolvição tenha recebido escassa cobertura nos grandes meios de comunicação indianos, contrastando com a ampla divulgação das acusações em 2018.
Por: Sérgio Carvalho / ACI Prensa

