Leão XIV recebe delegação portuguesa e destaca missão das Forças Armadas e de Segurança ao serviço do bem comum

Papa recebeu no Vaticano cerca de 130 representantes do Ordinariato Castrense de Portugal, assinalando os 60 anos da instituição e os 25 anos da existência de um bispo próprio. Leão XIV recordou ainda os dois jovens militares portugueses que morreram quando prestavam auxílio na A1.

O Papa Leão XIV recebeu esta segunda-feira, 24 de agosto, na Sala do Consistório do Vaticano, uma delegação do Ordinariato Castrense de Portugal – Diocese das Forças Armadas e das Forças de Segurança, numa audiência que assinalou duas datas importantes da assistência religiosa aos militares e forças de segurança portugueses.

A deslocação a Roma insere-se nas comemorações dos 60 anos da criação do Vicariato Castrense, instituído em 1966, e dos 25 anos da existência de um bispo próprio à frente da Diocese das Forças Armadas e das Forças de Segurança. No seu discurso, Leão XIV recordou que o Vicariato passou, em 1981, a designar-se Ordinariato Castrense.

A delegação, presidida por D. Sérgio Dinis, bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança, integrou 129 pessoas, segundo o próprio prelado, entre militares, polícias e civis. Estiveram representados o Exército, a Marinha, a Força Aérea, a Guarda Nacional Republicana e a Polícia de Segurança Pública. Participaram igualmente o ministro da Administração Interna, a embaixadora de Portugal junto da Santa Sé, o secretário de Estado Adjunto da Política de Defesa Nacional, responsáveis das chefias militares e policiais, capelães e representantes de outras instituições ligadas às Forças Armadas.

Papa recorda militares mortos na A1

Um dos momentos mais significativos do encontro aconteceu logo no início do discurso, quando Leão XIV evocou Francisco José Abrantes Oliveira, de 21 anos, e Pedro Alexandre Girão Gonçalves, de 22, os dois militares do Exército que morreram na passada sexta-feira, 21 de agosto, depois de terem sido atropelados na A1 quando prestavam auxílio ao condutor de um veículo pesado imobilizado.

O Papa comparou o gesto dos dois jovens ao do Bom Samaritano, afirmando que perderam a vida quando, generosamente, pararam para ajudar, e confiou-os ao Senhor, juntamente com as suas famílias.

Os dois militares pertenciam ao Regimento de Engenharia n.º 1 e regressavam à unidade depois de terem participado na montagem de uma ponte militar na região de São Pedro do Sul. O acidente ocorreu ao quilómetro 204,8 da A1, na zona de Murtede, concelho de Cantanhede, quando ajudavam a sinalizar um pesado que tinha sofrido o rebentamento de um pneu.

«Nobre missão» de defender a Pátria

Dirigindo-se aos militares e agentes das forças de segurança, Leão XIV salientou a dimensão ética do seu serviço, lembrando-lhes a responsabilidade quotidiana de “defender a soberania da Pátria e o Estado de direito”, garantindo a segurança dos cidadãos e protegendo-os das injustiças.

O Pontífice apresentou como referência bíblica o centurião de Cafarnaum e enumerou vários valores que devem caracterizar a vida militar: obediência, disciplina, renúncia, lealdade, camaradagem, dedicação, responsabilidade e coragem.

Para o Papa, porém, a autoridade deve estar acompanhada pela humildade. O centurião do Evangelho, apesar de conhecer e exercer a autoridade, reconheceu diante de Cristo a necessidade de Deus, tornando-se exemplo da conjugação entre “a força da fé e a coragem da humildade”.

Apelo aos capelães militares

Leão XIV dirigiu também palavras particulares a D. Sérgio Dinis e aos capelães, recordando que a Igreja lhes confia o crescimento espiritual dos militares e dos polícias portugueses.

O Papa pediu-lhes proximidade, capacidade de escuta, anúncio da Palavra de Deus, celebração dos sacramentos e acompanhamento pessoal, sem esquecer as famílias dos militares e agentes das forças de segurança. Agradeceu ainda o trabalho pastoral realizado, considerando que o testemunho de amor à Igreja e ao país é “bálsamo, que conforta e dá esperança”.

D. Sérgio Dinis, em declarações após a audiência, classificou a mensagem pontifícia como “muito forte” e destacou precisamente o apelo à proximidade dos capelães junto dos militares, polícias e civis. O bispo revelou também que Leão XIV cumprimentou individualmente os 129 integrantes da delegação portuguesa.

Nossa Senhora de Fátima no final do encontro

No encerramento, Leão XIV colocou as missões das Forças Armadas e das Forças de Segurança portuguesas sob a proteção de Nossa Senhora de Fátima, tanto no território nacional como nas missões realizadas no estrangeiro.

“Que Nossa Senhora de Fátima vos acompanhe nas diversas missões, tanto em Portugal como no estrangeiro. A alegria do Senhor seja a vossa força”, afirmou o Papa antes de conceder a bênção aos presentes.

O encontro confirmou, segundo Leão XIV, a importância do Ordinariato Castrense enquanto espaço de assistência espiritual aos militares, polícias e respetivas famílias, mas também como lugar de “construtiva colaboração” entre a Igreja e as autoridades estatais, governativas e militares.

Por: Sérgio Carvalho (sergiocarvalho@jornal360.pt)

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