«Lousada foi o primeiro município do país a criar e financiar um prémio dedicado à investigação em Saúde»

Candidaturas à terceira edição do Prémio Dr. Mário Fonseca terminam hoje. Nelson Oliveira revela ao Jornal360 a ambição de transformar a iniciativa numa referência nacional e destaca resultados já alcançados pelos projetos vencedores

As candidaturas à terceira edição do Prémio de Investigação Científica Dr. Mário Fonseca terminam esta segunda-feira, 31 de agosto, mas a ambição do Município de Lousada para esta iniciativa vai muito além da atribuição de um prémio de 30 mil euros.

Em entrevista exclusiva ao Jornal360, o presidente da Câmara Municipal de Lousada, Nelson Oliveira, assume que o objetivo é afirmar a iniciativa como uma referência nacional na investigação em Ciências da Saúde e aproximar o concelho dos grandes centros científicos internacionais.

“Lousada foi o primeiro município do país a criar e a financiar um prémio dedicado especificamente à investigação em Ciências da Saúde”, sublinha o autarca, considerando que essa condição representa também “uma responsabilidade que assumimos com orgulho”.

“Queremos que o Prémio Dr. Mário Fonseca seja, cada vez mais, uma referência para a comunidade científica nacional, um instrumento que ajuda a fixar talento e a dar visibilidade a trabalho de investigação com impacto real na vida das pessoas”, afirma.

Apostar em quem ainda está a construir o percurso

O prémio dirige-se a investigadores juniores com doutoramento concluído há menos de dez anos. A opção não é casual.

Nelson Oliveira entende que é precisamente nesta fase que muitos investigadores encontram maiores dificuldades para financiar os seus projetos.

“Há um reconhecimento generalizado, e já consagrado, para quem tem um percurso longo e consolidado, mas faltam, muitas vezes, oportunidades concretas de financiamento para quem está a dar os primeiros passos a seguir ao doutoramento”, explica.

“É nessa fase que se decide, muitas vezes, se um projeto avança ou fica pelo caminho”, acrescenta.

Para o presidente da Câmara, apoiar estes investigadores significa apostar “naquilo que pode vir a ser o futuro da investigação portuguesa em saúde”.

A iniciativa conta ainda com o apoio do SOMA GROUP, empresa de Lousada que contribui com 20 mil euros. Nelson Oliveira considera o apoio “muito bom e significativo” e deixa um desafio a outras empresas para que se associem ao prémio.

“Em todas as edições temos tido jovens investigadores de Lousada”

A aposta científica do Município pretende também despertar o interesse dos mais jovens.

“Não basta financiar boa investigação. Importa também que os nossos jovens vejam, de perto, que é possível seguir este caminho e que Lousada valoriza quem o escolhe”, defende Nelson Oliveira.

O autarca revela que, em todas as edições, houve jovens investigadores de Lousada entre os candidatos.

“Quando um jovem do concelho vê um prémio desta natureza a ser atribuído na sua própria terra, isso pode ser decisivo para despertar uma vocação ou reforçar uma escolha que já estava a amadurecer”, considera.

Lousada quer criar pontes com a investigação internacional

Os projetos candidatos podem ser desenvolvidos em instituições nacionais ou estrangeiras. Uma possibilidade que o Município entende ser essencial para aumentar a dimensão da iniciativa.

“A ciência não tem fronteiras”, afirma Nelson Oliveira.

Ao permitir que os projetos sejam desenvolvidos fora de Portugal, o prémio pretende “criar pontes entre Lousada e centros de investigação internacionais de referência”.

“Isso só nos enriquece: traz conhecimento, contactos e prestígio de volta ao concelho”, acrescenta.

O presidente da Câmara destaca ainda o trabalho da investigadora lousadense Flávia Sousa, que integra o júri, considerando que tem desenvolvido “grande parte deste fabuloso trabalho”.

Manter viva a memória do “médico do povo”

O prémio presta homenagem ao Dr. Mário Fonseca, figura ligada à vida de Lousada e conhecido como o “médico do povo”.

Para Nelson Oliveira, a associação do seu nome à investigação científica permite manter viva a sua memória junto das novas gerações.

“O Dr. Mário Fonseca foi, acima de tudo, um homem que dedicou a vida aos outros”, afirma.

O autarca considera que os mais jovens devem conhecer o percurso de uma personalidade que teve um papel relevante na comunidade e cuja ação ficou marcada pelo serviço aos outros.

“Associar o seu nome a um prémio de investigação em saúde é uma forma de perpetuar os valores que ele encarnou: o serviço, a dedicação e o cuidado com o outro”, acrescenta.

Sobrinho Simões como embaixador

A dimensão científica do prémio é reforçada pela presença do professor Manuel Sobrinho Simões como embaixador.

Nelson Oliveira considera que contar com uma personalidade com reconhecimento internacional representa “um enorme reconhecimento e uma enorme responsabilidade”.

“Ter o Professor Sobrinho Simões como embaixador dá-nos um selo de credibilidade e de exigência científica que só reforça a seriedade deste projeto”, afirma.

Para o autarca, a associação de Sobrinho Simões à iniciativa representa também um sinal de confiança no trabalho desenvolvido pelo Município.

“O prémio não termina no momento da entrega do cheque”

Mais do que o valor financeiro atribuído, Nelson Oliveira destaca o percurso que os projetos vencedores conseguem fazer depois de receberem o prémio.

Na primeira edição, Sandra Tavares, investigadora do i3S, foi distinguida pelo trabalho relacionado com uma nova abordagem de quimioterapia para o cancro da mama triplo negativo.

O projeto tem avançado em colaboração com o IPO-Porto e o Centro Hospitalar Universitário de Utrecht, nos Países Baixos.

A investigadora marcou presença na cerimónia da segunda edição para apresentar resultados entretanto alcançados.

Para Nelson Oliveira, este acompanhamento demonstra que “o prémio não termina no momento da entrega do cheque, mas continua a acompanhar o percurso destes cientistas”.

Na segunda edição, a vencedora foi Andreia Mósca, investigadora do GIMM — Instituto Gulbenkian de Medicina Molecular. O projeto que desenvolve procura estudar o impacto de determinados vírus na infeção pela malária e na resposta imunitária, com vista a contribuir para o desenvolvimento de vacinas contra esta doença.

“É um projeto com potencial impacto global, nascido de um prémio local”, destaca o presidente da Câmara.

É precisamente esse efeito que o Município procura alcançar: financiar investigação que possa ultrapassar as fronteiras de Lousada e produzir resultados concretos na saúde.

“Esperamos um impacto real e mensurável na forma como se trata uma doença, na qualidade de vida dos doentes, no avanço do conhecimento científico português”, afirma Nelson Oliveira.

As candidaturas à terceira edição do Prémio de Investigação Científica Dr. Mário Fonseca terminam hoje, 31 de agosto de 2026. O vencedor receberá um prémio de 30 mil euros.

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