Escritor timorense foi homenageado com um busto e uma frase da sua autoria no Jardim do Sameiro, num dos momentos mais simbólicos da 19.ª edição do festival literário Escritaria.
O escritor timorense Luís Cardoso passou a fazer parte da paisagem de Penafiel. O Jardim do Sameiro recebeu, esta sexta-feira, um busto do autor e uma peça escultórica com uma frase da sua autoria, numa homenagem que perpetua a sua ligação à cidade e assinala a 19.ª edição do festival literário Escritaria.
«Cada um faz o seu próprio destino e talha a pedra que o perdura no tempo» é a frase escolhida para eternizar a passagem do escritor pelo festival, numa cerimónia que incluiu também uma visita ao Bosque da Escritaria e à figueira eleita pelo próprio autor.
O busto, da autoria do escultor Ricardo Crista, integra o conjunto de obras de arte pública que o Escritaria tem vindo a deixar em Penafiel, transformando os espaços da cidade em lugares de homenagem à literatura de língua portuguesa.
A manhã ficou ainda marcada por um percurso dramatizado do Saaraci Coletivo Teatral, que deu voz a excertos da obra de Luís Cardoso, aproximando o público do universo literário do escritor.
Outro dos momentos de destaque foi a apresentação da reedição de Olhos de Coruja Olhos de Gato Bravo, numa sessão que reuniu o homenageado, Adélia Carvalho e o escritor angolano Ondjaki.
O programa incluiu igualmente uma mesa-redonda dedicada à história de Timor-Leste, com a participação de Ana Gomes, Pascoela Barreto, Susete Albino e Luís Ricardo Duarte, abordando o processo de independência, a transição democrática e as relações entre Timor-Leste e Portugal.
Nascido em Kailako, em 1958, Luís Cardoso é uma das principais referências da literatura timorense contemporânea. Chegou a Portugal em 1975 e construiu uma obra profundamente ligada à memória, à identidade e à história do seu país. Entre os seus livros destacam-se Crónica de Uma Travessia, O Plantador de Abóboras e Hotel Timor. Em 2021, recebeu o Prémio Oceanos.
A programação de sexta-feira terminou com um concerto de Adriana Calcanhotto, enquanto o Museu Municipal recebeu uma entrevista da agência Lusa a Roger Waters, cofundador dos Pink Floyd, e à cantora palestiniana Mona Miari.
Os dois artistas participam este sábado no Escritaria, num espetáculo de homenagem a Luís Represas que recorda a ligação da música portuguesa à luta pela independência de Timor-Leste.
O festival prolonga-se até domingo, 25 de outubro, mantendo Penafiel como ponto de encontro de escritores, músicos e outras figuras da cultura lusófona.
Foto: Município de Penafiel






