Liga Operária Católica manifesta solidariedade com os participantes nas manifestações e critica a falta de acesso à habitação, a especulação imobiliária e os discursos contra os imigrantes.
A Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC) exigiu esclarecimentos sobre a intervenção policial que marcou os protestos pelo direito à habitação no Porto, manifestando preocupação com a atuação das autoridades e solidariedade para com os cidadãos que têm participado nas manifestações realizadas em várias cidades portuguesas.
A posição foi divulgada este sábado, 24 de outubro, numa nota em que a organização católica defende a necessidade de garantir a integridade física dos manifestantes e apela à transparência no apuramento das circunstâncias da operação policial realizada na madrugada de 15 de outubro, na Praça D. João I, no Porto.
A intervenção da PSP, destinada a desmantelar uma acampada de protesto, provocou forte contestação por parte do Movimento pela Habitação, que denunciou 39 manifestantes feridos, dois dos quais em estado grave. Também um agente policial sofreu ferimentos.
A PSP justificou a operação com o incumprimento das ordens para retirar as tendas e com comportamentos de resistência de alguns participantes. A atuação das autoridades está agora sob investigação do Ministério Público, que abriu um inquérito sujeito a segredo de justiça. Também a Inspeção-Geral da Administração Interna instaurou um processo administrativo para apurar as circunstâncias da intervenção.
Na tomada de posição, a LOC/MTC sustenta que «exigir o cumprimento do artigo 65.º da Constituição não é vandalismo; é o exercício legítimo de um direito democrático», defendendo que os responsáveis políticos devem escutar as reivindicações dos cidadãos.
«A verdadeira democracia exige que os cidadãos intervenham e que o poder político os escute, em vez de os reprimir», refere a organização, que manifesta solidariedade com os participantes nos protestos realizados em Lisboa, Porto, Coimbra e Braga.
A estrutura católica alerta igualmente para o agravamento das dificuldades no acesso à habitação, considerando que ter uma casa se tornou «um luxo inacessível para a maioria dos jovens e famílias trabalhadoras».
A LOC/MTC aponta a especulação imobiliária, a precariedade laboral e a legislação relativa aos despejos como fatores que contribuem para a vulnerabilidade de milhares de famílias, sobretudo das que enfrentam maiores dificuldades económicas e sociais.
O movimento chama ainda a atenção para a situação dos idosos, das famílias com pessoas doentes e das mães que criam os filhos sozinhas, defendendo que a crise habitacional evidencia problemas estruturais que exigem respostas das autoridades.
Outra das preocupações manifestadas prende-se com os discursos de hostilidade dirigidos aos imigrantes, que a organização considera estarem a ser responsabilizados injustamente por problemas estruturais do mercado da habitação.
Nesse sentido, a LOC/MTC apela ao Governo, às autarquias e à sociedade civil para que sejam encontradas soluções que garantam o acesso a uma habitação digna, advertindo que «a paz não se constrói com a repressão nem com o ódio ao diferente ou ao pobre, mas com a garantia dos direitos fundamentais».
A tomada de posição surge numa altura em que a habitação constitui uma das prioridades da organização para o ano pastoral 2026/2027, associada à promoção da cidadania ativa e à defesa dos direitos sociais.
Os protestos pela habitação prosseguem este sábado em várias cidades do país, enquanto a proposta do Governo para alterar o regime do arrendamento urbano, aprovada na generalidade a 30 de setembro, continua em discussão parlamentar.

