Carlos Dias, antigo dirigente concelhio e distrital e ex-conselheiro nacional do Chega, anunciou esta sexta-feira, 6 de novembro, a saída do partido, após seis anos e meio de militância. Na origem da decisão estão divergências sobre o funcionamento interno da estrutura, que acusa de centralizar decisões e limitar a participação dos militantes.
Apesar da desfiliação, o eleito na Assembleia de Freguesia de Seroa, em Paços de Ferreira, afirma que continuará a exercer o mandato e a representar politicamente o Chega até ao seu termo, em 2029.
No comunicado enviado à comunicação social, Carlos Dias aponta a ausência de eleições para os órgãos dirigentes das estruturas concelhias, a impossibilidade de promover alterações estatutárias que aumentem a participação dos militantes e a crescente concentração das decisões políticas e das nomeações internas.
O antigo dirigente considera que o partido se afastou dos princípios de ética, justiça, equidade e meritocracia que motivaram a sua adesão. Critica também aquilo que entende ser uma contradição entre o discurso público do Chega e as suas práticas internas, ao recorrer a mecanismos de nomeação e concentração de poder que contesta noutras forças políticas.
A decisão foi anunciada numa data com significado para o próprio: o sexto aniversário da inauguração da sede concelhia do Chega em Paços de Ferreira.
Quanto à permanência na Assembleia de Freguesia de Seroa, Carlos Dias justifica-a com o respeito pelos eleitores que o escolheram numa candidatura apresentada pelo partido. Entende que abandonar essa representação seria defraudar a confiança de quem votou em si e no projeto pelo qual se candidatou.
“A minha divergência é com o funcionamento interno do partido, não com os compromissos que assumi perante os eleitores”, afirma.
O autarca garante que continuará a defender os interesses da população de Seroa, mantendo a independência de pensamento. Em 2029, quando terminar o mandato, prevê encerrar todas as ligações políticas que ainda o associem ao Chega.
Carlos Dias esclarece, contudo, que a saída do partido não significa o abandono da intervenção cívica e política. “Os partidos políticos devem estar ao serviço dos cidadãos e não os cidadãos ao serviço dos partidos”, sustenta.

