Rui Caetano quer que o Paredes desfrute da visita ao Estádio do Dragão, mas deixa um aviso sobre a atitude com que a equipa vai enfrentar o FC Porto na Taça de Portugal. «Vamos lá para lutar para passar a eliminatória, não vamos lá passear nem pedir camisolas e autógrafos», afirma o principal investidor do USC Paredes, no segundo episódio do 360 à Conversa, do Jornal360.
Antigo jogador da formação portista, Caetano reconhece o significado pessoal do encontro. «A minha infância foi passada em Paredes, mas a minha adolescência foi passada no Porto. Eu fui muito educado com o ADN Porto», recorda, associando essa aprendizagem à ambição com que pretende ver a equipa entrar em campo.
Para o empresário, o encontro representa também o reconhecimento do trabalho desenvolvido no clube e da campanha dos jogadores, que eliminaram o Famalicão na ronda anterior.
«Acho que é um prémio para toda a estrutura, acho que é um prémio de tudo aquilo que se tem feito no clube e merecíamos um jogo destes», considera. Sem retirar espaço à emoção, distingue o prazer de jogar naquele palco da responsabilidade competitiva: «Os jogadores têm de desfrutar do jogo, é um momento único na carreira de muitos deles.»
Ligas profissionais no horizonte
A visita ao Dragão é um dos temas da entrevista, mas a conversa estende-se ao projeto para o Paredes, à carreira de futebolista e à decisão de trocar os relvados pela atividade empresarial aos 29 anos.
No clube onde começou a jogar, Caetano encontrou uma forma de juntar duas paixões: o futebol e a gestão. Regressou a convite do presidente Pedro Silva e do presidente da Câmara de Paredes, Alexandre Almeida, deixando desde o início claro que queria participar como investidor.
«Eu disse que não queria ser presidente. O Pedro tem feito um trabalho inacreditável no clube nestes últimos anos», explica, destacando a relação entre ambos: «Temos feito uma dupla muito boa.»
O projeto tem uma meta desportiva definida. «Em cinco anos queremos chegar a uma Segunda Liga», revela. A subida à Liga 3 aconteceu antes do prazo inicialmente traçado e, nesta temporada, o primeiro objetivo passa por terminar entre os quatro primeiros.
A ambição, garante, é acompanhada por investimento na organização e nas condições de trabalho. «O nosso principal objetivo é estruturar e profissionalizar o clube», sublinha.
Caetano descreve melhorias nos departamentos médico, de performance, scouting e nutrição, assim como nos balneários, no ginásio e nos espaços de refeições. Destaca também o apoio municipal nas infraestruturas e aponta à criação de uma academia.
«O Paredes hoje trabalha a um nível que eu nunca trabalhei na Primeira Liga», afirma, ressalvando que os tempos e as condições do futebol também evoluíram.
«O Moreno não está à venda»
Entre os jogadores do plantel, Moreno merece elogios particularmente expressivos. Caetano destaca a velocidade, a capacidade de desequilíbrio e a qualidade no confronto individual do extremo.
«O Moreno é jogador de Primeira Liga e Primeira Liga alta, no meu ponto de vista», defende. Apesar do interesse que o jogador tem despertado, a posição é clara: «Temos tido muitas abordagens, mas o Moreno não está à venda.»
O investimento no Paredes tem, segundo o empresário, uma motivação que ultrapassa o retorno financeiro. «Estou no Paredes por paixão, não estou no Paredes para ganhar dinheiro», assegura.
Caetano admite que gostaria de recuperar o montante investido, proveniente das empresas, mas afasta a intenção de retirar lucros pessoais do clube. Caso existam resultados financeiros positivos, pretende que sejam aplicados nas infraestruturas.
O legado que gostaria de deixar passa por uma academia de referência, um estádio com melhores condições e a presença do Paredes nas competições profissionais.
Do relvado aos negócios
Na entrevista, Rui Caetano explica ainda por que terminou a carreira de jogador aos 29 anos. A crescente dedicação aos negócios coincidiu com uma quebra de motivação no futebol.
«A minha seta estava para cima na área empresarial e o futebol já tinha caído numa Segunda Liga, a seta já estava para baixo», recorda. Para continuar a jogar, entendia que precisava de uma disponibilidade que já não sentia: «Para ser jogador de futebol, que é a melhor profissão do mundo, tem de se ter o foco e estar focado a 100%.»
Guarda como momentos mais altos a final do Mundial de sub-20 por Portugal e o terceiro lugar conquistado com o Paços de Ferreira, que abriu caminho à participação no acesso à Liga dos Campeões.
Mesmo tendo seguido outro percurso, reconhece o valor do que aprendeu dentro do futebol: «Foi a melhor licenciatura que eu podia ter tirado.»
A entrevista completa com Rui Caetano, gravada no INOTEL Paços de Ferreira, pode ser acompanhada no segundo episódio do 360 à Conversa, no YouTube e no Spotify do Jornal360.

