Ao longo de uma vida inteira ligada à música, Francisco Magalhães é um dos nomes incontornáveis da Banda Musical de Paços de Ferreira. Numa entrevista intimista, revisita mais de cinco décadas de dedicação a uma das mais antigas instituições culturais da região, onde começou como executante ainda em criança e terminou um percurso de liderança marcado pela modernização e pela paixão pela filarmonia.
“Entrei para a banda com dez anos”, recorda. “Comecei muito cedo, ainda em criança, e passei por todos os caminhos: músico, diretor, vice-presidente, presidente da assembleia e do conselho fiscal, até chegar à presidência.” Um percurso que culminou nos 12 anos em que liderou a instituição, entre 2012 e 2024.
Francisco Magalhães descreve a banda como uma escola de vida. “Foi uma experiência agradável, que nos faz crescer como pessoas e como seres humanos. É algo que damos a uma associação secular e que também nos enche de orgulho.”
Das memórias de infância à evolução da filarmonia
Entre memórias de infância, destaca as primeiras atuações e tradições antigas, como o “batismo dos músicos” na Páscoa, e os primeiros desfiles pela então vila de Paços de Ferreira. “Lembro-me de tocar no coreto da praça com dez anos”, conta com nostalgia.
O antigo dirigente recorda ainda um tempo em que as bandas tinham uma dimensão mais reduzida e uma dinâmica diferente. Hoje, diz, a realidade é outra, mais exigente e mais profissionalizada.
Modernização e nova linguagem musical
Durante a sua liderança, Francisco Magalhães assumiu uma visão de renovação da filarmonia. Defendeu a atualização de repertórios, uma aproximação aos públicos mais jovens e uma nova forma de apresentação das bandas.
“Achávamos que era preciso modernizar. Dar um toque diferente, mais contemporâneo, sem perder a identidade”, explica. Essa aposta traduziu-se em novos arranjos, concertos temáticos e uma estética mais atual na forma de estar em palco.
Entre os projetos que destaca, refere arranjos musicais que marcaram a programação da banda e iniciativas comemorativas que ajudaram a reforçar a identidade da instituição.
Um trabalho coletivo e um legado partilhado
Apesar do seu papel de liderança, Francisco Magalhães sublinha que o percurso não foi feito sozinho. “Nunca fiz nada sozinho. Estive sempre rodeado de pessoas com vontade de trabalhar e de fazer mais e melhor.”
Reconhece também o contributo de maestros, músicos e colaboradores ao longo dos anos, destacando a estabilidade e o espírito de equipa como fatores decisivos para o crescimento da banda.
Um dos legados que mais valoriza é a criação e organização de conteúdos históricos e biográficos sobre a instituição, essenciais para preservar a memória coletiva. “Fizemos um trabalho que ficará para a posteridade. Uma história dentro da história da banda.”

Uma ligação que permanece
Hoje afastado da presidência, Francisco Magalhães mantém-se ligado à música com outro olhar. “Agora tenho mais disponibilidade para ouvir com calma, para apreciar verdadeiramente a música”, confessa.
Apesar do fim do ciclo diretivo, garante que a ligação emocional permanece intacta. “A banda está no meu sangue. Sempre esteve e sempre estará.”
A entrevista encerra com um agradecimento à instituição, aos colaboradores e a todos os que continuam a dar vida a uma das mais emblemáticas coletividades culturais de Paços de Ferreira.
