Manifestação secular de fé e identidade de Mouçós e Lamares passa a integrar o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial
A manifestação do Andor da Senhora da Pena, uma das mais emblemáticas expressões religiosas e culturais da região de Vila Real, foi oficialmente inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, através do Anúncio n.º 129/2026, publicado no Diário da República de 2 de junho.
A decisão, tomada pelo Património Cultural, I.P., reconhece o valor histórico, social, cultural e religioso desta tradição profundamente enraizada nas comunidades de Mouçós e Lamares, destacando o seu papel na construção da identidade coletiva e na transmissão de conhecimentos e práticas ao longo de gerações.
O reconhecimento representa um momento histórico para a freguesia. Mais do que uma manifestação festiva, o Andor da Senhora da Pena é considerado um símbolo de fé, devoção e união comunitária, mobilizando anualmente centenas de pessoas na sua preparação, construção e transporte.
No anúncio publicado em Diário da República, é sublinhada a relevância desta tradição na matriz identitária das comunidades envolvidas, bem como a sua importância no território onde se insere e a influência que exerce na vida social, cultural e religiosa da população.
A Junta de Freguesia de Mouçós e Lamares saudou a decisão, considerando-a um reconhecimento do trabalho e dedicação de todos aqueles que, ao longo dos anos, mantiveram viva esta manifestação única. Para a autarquia, a inscrição constitui simultaneamente uma honra e uma responsabilidade acrescida na preservação, valorização e promoção deste património para as futuras gerações.
Conhecido pela sua imponência, beleza artística e forte simbolismo religioso, o Andor da Senhora da Pena é uma das mais impressionantes manifestações de religiosidade popular do norte de Portugal, reunindo fé, criatividade, espírito comunitário e um vasto património de saberes transmitidos entre gerações.
Esta classificação vem reforçar a importância de proteger e promover uma tradição que continua a ser um dos mais fortes elementos de identidade cultural da freguesia, perpetuando um legado que une passado, presente e futuro.
“Este é um reconhecimento de todos: das comunidades, dos devotos, das famílias, das instituições e de todos aqueles que, geração após geração, deram continuidade a este legado.”
Com esta inscrição, o Andor da Senhora da Pena ganha agora um novo estatuto no panorama do património cultural português, assegurando maior visibilidade e proteção a uma tradição que continua a ser motivo de orgulho para Mouçós, Lamares e todo o concelho de Vila Real.
Por: Sérgio Carvalho


