A CCDR NORTE apresentou, na passada sexta-feira, a obra Corografia sentimental: um dicionário toponímico e geográfico da obra de Camilo, da autoria de Nuno Resende, numa sessão que decorreu no Bar do Batalha Centro de Cinema, no Porto, perante uma sala cheia. A iniciativa foi promovida em parceria com a Câmara Municipal do Porto.
Integrada nas comemorações dos 200 anos do nascimento de Camilo Castelo Branco, a apresentação contou com a presença do autor e de Jorge Sobrado, Vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto, responsável pela sessão. A obra assume-se como a primeira do género em Portugal, quer no âmbito dos estudos camilianos, quer nos estudos literários.
Concebida como instrumento de consulta e investigação, a publicação resulta da leitura sistemática de um corpus de 72 obras de Camilo Castelo Branco, reunindo 1.673 entradas.
De acordo com Nuno Resende, «este é, antes de mais, um livro-instrumento. Apesar de ser o escritor português que mais escreveu, e aquele sobre quem mais se escreveu, ainda não existia uma cartografia sistemática dos seus lugares literários. Este volume vem precisamente preencher essa lacuna».
O autor sublinha ainda a dimensão material da obra: «Mas é também um livro-objeto: tem um design gráfico muito cuidado, é pensado para ser manuseado, e integra um caderno fotográfico, enquanto forma de compreender e revisitar os lugares de Camilo.»
Descrito como uma espécie de “ensaio visual”, o volume poderá constituir, segundo o autor, um ponto de partida para novos estudos: «é um lugar de imaginação que gostaria que desse origem a novas leituras e novas investigações».

Durante a sessão, Jorge Sobrado destacou a importância das efemérides como oportunidade de conquista de novos leitores: «apesar de poder haver alguma reserva em relação às efemérides, por estarem associadas a algo de “bafiento”, podem, na verdade, ser belíssimos pretextos para desocultar autores e obras, dar-lhes sangue novo e, no final do dia, conquistar novos leitores.»
O Vereador da Cultura defendeu ainda o localismo e regionalismo de Camilo enquanto “passagem secreta para o universalismo”, descrevendo-o como um escritor que percorre e incorpora a geografia nos seus textos: «Camilo é um caminheiro que não ignora a geografia. Percorre-a, escuta-a, incorpora-a. Por essa via interior do território, capta os lugares quase como personagens com um temperamento próprio. Toda a humanidade está em Camilo.»
A obra organiza e esclarece lugares, topónimos, variantes gráficas e ambivalências espaciais, articulando literatura, território e memória cultural. É acompanhada por 362 notas explicativas, dois mapas de síntese e um caderno de ensaio visual com 66 reproduções fotográficas, concebido como apoio à leitura e à imaginação do espaço literário.
Com esta publicação, a CCDR NORTE reforça a aposta na promoção do património literário e cultural associado à figura de Camilo Castelo Branco e na valorização da memória cultural do Norte.

