D. Pedro Fernandes alerta para as situações de exploração e discriminação vividas por migrantes e refugiados e defende melhores políticas de acolhimento e integração. Na mensagem “Da fragilidade à Esperança”, o bispo de Portalegre-Castelo Branco recorda que a dignidade humana deve estar acima da nacionalidade e aponta quatro verbos fundamentais para responder ao fenómeno migratório: acolher, proteger, promover e integrar.
«A solução não é combater as pessoas migrantes, mas é garantir-lhes melhores condições de acolhimento». A afirmação é um dos pontos fortes da mensagem “Da fragilidade à Esperança”, assinada por D. Pedro Fernandes, bispo de Portalegre-Castelo Branco, no contexto das iniciativas da Igreja dedicadas às migrações.
O prelado parte da fragilidade como uma realidade comum a toda a condição humana, recordando que o próprio Cristo «connosco se fez frágil e pobre». Em Jesus, a fragilidade deixa de ser apenas sinal de limitação para poder transformar-se em caminho de crescimento, abertura a Deus e esperança.
Mas há fragilidades que não resultam simplesmente da condição humana. São provocadas pela injustiça, pela violência e pela exploração e atingem de forma particular muitos migrantes e refugiados.
D. Pedro Fernandes recorda que muitas pessoas abandonam os seus países à procura de segurança económica e social, melhores condições de vida, liberdade e respeito pela sua identidade pessoal, cultural, religiosa ou étnica. Contudo, depois de fugirem da carência ou da violência, podem encontrar nos países de destino novas formas de opressão.
Tráfico de pessoas, condições injustas ou desumanas de trabalho e alojamento, legislação discriminatória e práticas administrativas ou políticas que provocam sofrimento estão entre as situações denunciadas na mensagem.
Portugal: país de emigrantes e de imigrantes
O bispo chama particularmente a atenção para a realidade portuguesa, recordando a longa tradição migratória do país.
Portugal é simultaneamente terra de partida e de acolhimento: os portugueses partiram e continuam a partir para outros países, ao mesmo tempo que Portugal recebe quem procura aqui construir uma nova vida.
Embora reconheça a existência de «muitas e belas histórias de sucesso na integração», D. Pedro Fernandes alerta que também entre nós persistem situações de violência e vulnerabilidade. Não conhecer o país, não dominar a língua ou não estar familiarizado com a cultura pode deixar quem chega particularmente exposto à exploração.
Mesmo quando os fluxos migratórios colocam dificuldades aos mecanismos de integração, a resposta, sustenta, não pode ser dirigida contra os próprios migrantes.
«A solução não é combater as pessoas migrantes, mas é garantir-lhes melhores condições de acolhimento.»
Combater o ódio e o racismo
A mensagem deixa também um conjunto claro de prioridades: combater os discursos de ódio e racismo; impedir o oportunismo e a exploração no trabalho, no alojamento e na vida social; e criar legislação responsável.
A resposta deve obedecer aos quatro verbos que a doutrina social da Igreja propõe para as migrações:
«Acolher, proteger, promover e integrar.»
Para o bispo de Portalegre-Castelo Branco, a cidadania deve ser valorizada para todos, nacionais ou estrangeiros, mas deve estar alicerçada num princípio ainda mais profundo: «a dignidade humana, igual e universal».
Esperança exige ações concretas
A mensagem recusa ainda uma esperança feita apenas de discursos. A resposta cristã às injustiças que atingem as pessoas migrantes deve concretizar-se através da solidariedade, justiça e propostas efetivas de integração.
Ser uma Igreja verdadeiramente católica significa, por isso, viver a universalidade não apenas dentro das igrejas ou durante a liturgia, mas nas relações sociais e comunitárias.
D. Pedro Fernandes propõe uma fraternidade construída entre quem chega e quem acolhe, valorizando as diferenças sem apagar identidades: «integrando sem diluir e deixando-se acolher sem impor».
É nesse respeito mútuo, considera, que pode nascer uma verdadeira fraternidade — e é a fraternidade que permite fazer a passagem «da fragilidade à esperança».
Migrantes e refugiados peregrinam a Fátima
A mensagem surge associada à Peregrinação do Migrante e do Refugiado, que decorre nos dias 12 e 13 de agosto de 2026, em Fátima.
O programa inclui Missas em diferentes línguas, Rosário e Procissão das Velas, Adoração Eucarística, veneração dos Santos Francisco e Jacinta Marto, Via-Sacra e celebrações marianas.
Na manhã de 13 de agosto, depois do Rosário das 09h00, a Eucaristia das 10h00 integra a tradicional oferta do trigo, a bênção dos doentes e a consagração, terminando com a Procissão do Adeus.
As iniciativas prolongam-se a 16 de agosto, com a Jornada de Solidariedade para a Pastoral da Mobilidade Humana. A Igreja convida as paróquias e comunidades a celebrarem a Eucaristia pelos migrantes, promoverem a participação ativa das pessoas em contexto de mobilidade e apoiarem o trabalho pastoral desenvolvido nesta área.
Por: Sérgio Carvalho (sergiocarvalho@jornal360.pt)
Fotos: DR

