Criminalidade e segurança chegam ao centro do debate político em Paços de Ferreira

Assembleia Municipal temática vai discutir exclusivamente a segurança no concelho depois de um verão marcado por várias ocorrências policiais e por posições políticas divergentes sobre a realidade criminal

A segurança vai estar no centro do debate político em Paços de Ferreira no próximo dia 8 de outubro. A Assembleia Municipal realiza nessa data uma sessão temática exclusivamente dedicada à “Segurança no Concelho de Paços de Ferreira”, com início marcado para as 21:00 horas, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

A sessão surge na sequência de um requerimento apresentado pelo grupo municipal do Chega, em agosto, para a realização de uma reunião extraordinária dedicada à segurança pública no concelho. Na altura, o presidente da Assembleia Municipal, António Coelho, confirmou a receção e aceitação do pedido, explicando que o novo Regimento permite a cada grupo municipal solicitar, uma vez por ano, uma Assembleia Municipal sobre um tema de interesse municipal.

A discussão chega ao plenário depois de um período em que foram divulgadas várias ocorrências policiais em Paços de Ferreira.

Entre junho e setembro, a GNR anunciou diferentes detenções no concelho relacionadas com tráfico de estupefacientes, posse de armas e condução perigosa. Em agosto, por exemplo, foram divulgadas detenções por posse de arma proibida em Freamunde e por posse ilegal de arma de fogo, na sequência de uma denúncia. Foi também detido um homem por tráfico de estupefacientes e posse de arma proibida, enquanto outra operação relacionada com uma concentração ilegal de veículos terminou com uma detenção por condução perigosa, resistência e coação sobre funcionário. Já em setembro, a GNR voltou a anunciar uma detenção por tráfico de estupefacientes em Paços de Ferreira.

A sucessão de casos contribuiu para colocar a segurança no debate político local. Contudo, as ocorrências divulgadas não permitem, por si só, concluir que exista um aumento generalizado da criminalidade no concelho. Essa distinção tem sido também assinalada no debate público local.

Em agosto, um artigo de opinião publicado sobre a segurança em Paços de Ferreira chamou a atenção para as sucessivas notícias relacionadas com tráfico de droga, armas e outras ocorrências, defendendo a necessidade de prevenção, mas ressalvando que a existência de casos individuais não permite determinar, sem recurso aos dados oficiais, se existe efetivamente uma subida generalizada da criminalidade.

Já em setembro, Tiago Silva, membro da Comissão Concelhia do PS, contestou a ideia de que exista um clima generalizado de insegurança no concelho. Num artigo de opinião, defendeu que Paços de Ferreira continua a ser um território seguro e tranquilo e destacou o papel da Polícia Municipal na prevenção e proximidade.

Que segurança para Paços de Ferreira?

É precisamente neste contexto que a sessão de 8 de outubro poderá permitir uma discussão mais ampla do que a simples análise de ocorrências policiais.

Entre as questões colocadas pelo Chega no requerimento apresentado em agosto estavam as medidas concretas adotadas pela autarquia, a articulação entre o Município e as forças de segurança e os pedidos ou diligências realizados para eventual reforço do policiamento e dos meios disponíveis no território.

A discussão poderá também colocar em cima da mesa o papel da própria Polícia Municipal.

O Município dispõe de uma estrutura de Polícia Municipal e, em 2026, foram concluídos processos de ingresso e progressão de agentes municipais. Em fevereiro foi homologada a conclusão do estágio de um novo agente municipal de 2.ª classe, na sequência de um procedimento que previa a admissão de três estagiários.

A Câmara dispõe ainda de um Conselho Municipal de Segurança, órgão consultivo que reúne entidades com intervenção na prevenção e garantia da segurança e que tem, entre outras funções, a análise da situação de segurança do município, a formulação de propostas e a avaliação de dados relativos à criminalidade, violência doméstica e sinistralidade rodoviária.

A questão que ficará agora no centro da Assembleia Municipal é saber qual é o diagnóstico atual da segurança em Paços de Ferreira, que meios existem no terreno e que respostas estão a ser preparadas para os problemas identificados.

Será também uma oportunidade para confrontar diferentes leituras sobre a realidade do concelho: entre os alertas políticos para determinadas ocorrências e a posição de quem entende que os dados não justificam falar num quadro generalizado de insegurança.

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