Estreia de ‘O Atelier Radical de Henrique Silva’ destaca percurso de artista de Paredes

O Cinema Trindade acolheu a estreia de “O Atelier Radical de Henrique Silva”, documentário realizado por Emília Simão e Samuel Barbosa, com produção da Bando à Parte, que mergulha no universo criativo de um dos mais marcantes artistas naturais de Paredes.

A obra parte do conceito de “Perspetiva Polissémica”, formulado pelo próprio Henrique Silva, estruturado em três dimensões essenciais, Cosmologia, Técnica e Moral. Através deste enquadramento, o filme constrói um percurso que atravessa memórias familiares, influências formativas e reflexão artística, culminando num registo intimista: o artista, aos 90 anos, dialoga com os realizadores na sua casa-ateliê, em Gondar.

Com uma carreira iniciada no final da década de 1950, Henrique Silva afirmou-se nas áreas da pintura, escultura e desenho, expandindo o seu trabalho para a videoarte, a música e a escrita. Reconhecido pelo carácter experimental e pela constante problematização estética e ética, é descrito como um criador multidisciplinar e um pensador inquieto.

A estreia contou com a presença da Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Paredes, Beatriz Meireles, que destacou a ligação do Município ao artista, natural do concelho e patrono do Prémio Artístico Henrique Silva, atualmente na sua sétima edição consecutiva. Segundo a autarca, o apoio municipal ao documentário resultou de uma articulação próxima com a produção.

O projeto contou com financiamento da Câmara Municipal de Paredes no âmbito do Plano de Ação para as Comunidades Desfavorecidas, através de candidatura ao Plano de Recuperação e Resiliência.

Percurso académico e institucional

Nascido em 1933, em Paredes, Henrique Silva desempenhou funções de relevo no panorama artístico e formativo nacional. Foi Diretor Executivo da Árvore – Cooperativa de Atividades Artísticas entre 1978 e 1995, cofundador e diretor da Bienal de Cerveira desde 2003, e assumiu igualmente responsabilidades na Projeto – Núcleo de Desenvolvimento Cultural.

É Diretor do Curso Superior de Artes e Multimédia e Presidente do Conselho Científico da Escola Superior Gallaecia.

Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris, frequentou a École Supérieure des Beaux-Arts de Paris e licenciou-se pela Université Paris VIII. Doutorou-se em Média-Arte Digital pela Universidade Aberta e pela Universidade do Algarve, em 2015.

Ao longo de mais de seis décadas de atividade, soma mais de 50 exposições individuais e cerca de 200 coletivas, em vários países da Europa e nos Estados Unidos.

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