PSD Lousada aponta “falta de ambição” no plano de mobilidade e abstém-se

Os vereadores do PSD na Câmara de Lousada abstiveram-se na votação do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS), considerando que o documento, apesar de apresentar um diagnóstico positivo em algumas áreas, revela “falta de ambição” e não apresenta respostas suficientemente concretas para transformar a mobilidade no concelho.

Em nota de imprensa enviada à redação do Jornal 360, os sociais-democratas apresentam a posição que foi apresentada pelo vereador Fausto Oliveira, que reconheceu alguns aspetos positivos do plano, nomeadamente o trabalho de diagnóstico e as medidas previstas para melhorar a segurança rodoviária. No entanto, o PSD considera que falta ao documento uma estratégia mais ambiciosa para os próximos anos.

Entre as principais críticas está a dependência do automóvel. Para o partido, o plano identifica o problema, mas não apresenta soluções suficientemente concretas para alterar os hábitos de mobilidade dos lousadenses.

A mobilidade ciclável é outra das áreas contestadas. O PSD considera que o PMUS não apresenta uma rede contínua de ciclovias nem define metas concretas para a sua expansão até 2035, nomeadamente nas ligações às escolas, entre freguesias e às estações ferroviárias.

Nos transportes públicos, os sociais-democratas apontam também várias lacunas. Entre elas está a ausência de parques de estacionamento junto à estação de Caíde de Rei e a falta de uma estratégia que considere a estação de Penafiel como uma importante plataforma de ligação para o concelho, além das referências a Meinedo e Caíde.

O estacionamento é outro dos problemas identificados pelo PSD. O partido entende que o plano reconhece as dificuldades existentes, mas não apresenta medidas suficientemente concretas para alterar comportamentos, como a criação de parques periféricos junto a interfaces de transporte ou diferentes modelos de estacionamento em função do tempo de utilização.

Os vereadores criticam ainda o atraso previsto para a implementação das chamadas zonas “Kiss and Go” junto às escolas, lembrando que a medida já foi adotada noutros concelhos da região.

Outra preocupação prende-se com a circulação de veículos pesados. Segundo o PSD, o PMUS reconhece o impacto deste tipo de tráfego em algumas vias e no centro urbano, mas não esclarece de forma suficiente como será aplicada e fiscalizada uma eventual proibição.

Na reunião de Câmara, Fausto Oliveira defendeu que “mudar as estradas, sendo necessário, não é o mesmo que mudar mentalidades”, considerando que o plano deveria colocar o peão no topo da hierarquia da mobilidade, seguido da bicicleta, do transporte público, das cargas e descargas e, por último, do automóvel particular.

O PSD justifica assim a abstenção com a necessidade de introduzir maior ambição no documento, garantindo que a posição assumida pretende ser de oposição construtiva.

Foto: PSD Lousada

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