Poucos adeptos de futebol sabem que a maior competição desportiva do planeta nasceu da visão de um católico profundamente inspirado pela doutrina social da Igreja. O francês Jules Rimet, presidente da FIFA entre 1921 e 1954, foi o principal impulsionador da criação do Campeonato do Mundo de Futebol, concretizando em 1930 um sonho que pretendia aproximar os povos através do desporto.
Numa Europa marcada pelas feridas da Primeira Guerra Mundial, Rimet acreditava que o futebol podia ser mais do que um simples jogo. Para ele, o desporto constituía uma linguagem universal capaz de promover a fraternidade, o entendimento entre nações e a construção da paz.
A sua visão foi influenciada pela encíclica Rerum Novarum, publicada pelo Papa Leão XIII em 1891. O documento, considerado fundador da doutrina social da Igreja, defendia a dignidade dos trabalhadores, a justiça social e a promoção do bem comum. Inspirado por estes princípios, Jules Rimet fundou o clube Red Star, em França, aberto a pessoas de todas as origens sociais, numa época em que o desporto estava frequentemente reservado às elites.
Após anos de trabalho diplomático e organizativo, o dirigente francês conseguiu concretizar o seu maior projeto: a realização do primeiro Campeonato do Mundo de Futebol, disputado no Uruguai em 1930. O torneio viria a transformar-se no maior evento desportivo do mundo, mobilizando milhões de adeptos em todos os continentes.
O reconhecimento da sua ação ultrapassou as fronteiras do futebol. Em 1956, Jules Rimet foi nomeado para o Prémio Nobel da Paz, numa homenagem à sua convicção de que o desporto poderia contribuir para a aproximação entre os povos. Entre 1930 e 1970, o troféu atribuído aos campeões mundiais recebeu mesmo o nome de Taça Jules Rimet.
Por detrás de um dos eventos mais populares da atualidade encontra-se, assim, a figura de um homem de fé que acreditou na capacidade do desporto para unir pessoas, superar divisões e construir pontes de paz entre as nações.
Por: Sérgio Carvalho
