O XXII Congresso da Federação Distrital do Porto do Partido Socialista marcou este sábado o arranque de um novo ciclo político liderado por Nuno Araújo. Realizado em Vila do Conde, o encontro reuniu cerca de mil militantes, autarcas, dirigentes e representantes da sociedade civil, culminando com a aprovação da moção de orientação política “Tempo de Coragem”, que definirá a estratégia da estrutura distrital para os próximos dois anos.
O congresso contou com a presença do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, e do antigo governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, numa sessão que reforçou o peso político da maior federação distrital socialista do país.
Na intervenção de abertura, Nuno Araújo defendeu uma federação mais próxima da sociedade, sublinhando que “um partido só permanece vivo quando sabe ouvir a sociedade, acolher novas ideias e reconhecer que o talento não tem cartão de militante”.
Sob o lema “Tempo de Coragem”, o presidente da Federação apresentou como prioridades a implementação da regionalização, o reforço da competitividade económica, a reindustrialização, a valorização das universidades e da inovação, bem como respostas aos desafios da habitação e da saúde.
Um dos momentos centrais da intervenção ficou marcado pela defesa da descentralização de competências para o Norte do país.
“Portugal não precisa de um Norte mais reivindicativo. Precisa de um Norte mais decisor”, afirmou, considerando que a regionalização constitui um instrumento essencial para aproximar as decisões dos cidadãos e potenciar o desenvolvimento da região.
Na sessão de encerramento, Nuno Araújo aproveitou para deixar críticas à atuação do Governo, defendendo que “os governos avaliam-se pelos resultados e não pelos anúncios”, numa referência às dificuldades que, na sua perspetiva, persistem em áreas como a habitação, a saúde e a economia.
O dirigente socialista sustentou ainda que o Partido Socialista deve apresentar-se como uma alternativa assente na competência, no crescimento económico, na justiça social e na valorização do trabalho.
No final dos trabalhos, Nuno Araújo considerou que o congresso correspondeu às expectativas e destacou a participação de José Luís Carneiro e Mário Centeno, considerando que ambas as presenças conferiram especial relevância política ao encontro.
“Hoje não termina nada. Hoje começa o nosso trabalho para os próximos dois anos”, afirmou, apelando à mobilização dos militantes e dos autarcas para um trabalho de proximidade “freguesia a freguesia, rua a rua, nos municípios, nas empresas e nas associações”.
O congresso ficou ainda marcado pela abertura, pela primeira vez, a jovens até aos 30 anos, militantes e não militantes, bem como à participação de autarcas do distrito, numa iniciativa que a direção socialista apresentou como uma aposta no reforço da ligação entre o partido e a sociedade civil.
Com a aprovação da moção “Tempo de Coragem”, a Federação Distrital do Porto inicia agora um novo ciclo político, assumindo a regionalização, o desenvolvimento económico e a preparação dos próximos desafios eleitorais como eixos centrais da sua estratégia.









