Paredes junta arte, madeira e indústria na III Bienal Internacional

Primeiro museu municipal do concelho recebe visita experimental integrada na III Bienal Internacional das Artes em Madeira

O Museu do Mobiliário de Paredes abriu pela primeira vez as portas à comunidade, numa visita experimental realizada no âmbito da abertura da III Bienal Internacional das Artes em Madeira de Paredes (BIAMP).

Instalado no histórico Mosteiro de Vilela, o novo equipamento cultural é o primeiro museu municipal de Paredes e está dedicado à história das artes da madeira e dos ofícios ligados à marcenaria, desde a tradição ao design contemporâneo. A inauguração oficial está prevista para meados de outubro.

A abertura experimental aconteceu esta terça-feira, 29 de setembro, com a inauguração da exposição “Filhos da Terra, Filhos da Floresta”, com curadoria de Helena Mendes Pereira. A mostra é o núcleo central da terceira edição da BIAMP e reúne trabalhos de 14 artistas de diferentes gerações, que exploram a madeira através de diferentes formas, cores e texturas.

A exposição ocupa a sala de exposições temporárias e outras três salas do Museu do Mobiliário e ficará patente até 30 de novembro. A programação da bienal estende-se também ao tecido empresarial do concelho, com instalações artísticas nas empresas Fenabel e Laskasas.

Um museu para contar a história do mobiliário

O novo espaço nasce com a missão de preservar e apresentar a relação de Paredes com a madeira e o mobiliário, mostrando a evolução do processo de produção e fabrico, desde a seleção das madeiras até à peça final.

A exposição permanente inclui ferramentas, peças de mobiliário e cadeiras de autor, contando ainda com testemunhos digitais de empresas e empresários locais. O museu terá igualmente salas para exposições temporárias, espaço para demonstrações de técnicas de transformação da madeira, incluindo a talha, uma área destinada a uma incubadora de design e espaços de apoio.

O equipamento resulta da requalificação do antigo Mosteiro de Vilela, imóvel conventual cujas origens remontam ao século X e que está classificado como imóvel de interesse público desde 2013. O edifício é propriedade do Município de Paredes desde 2006.

A intervenção representa um investimento de cerca de três milhões de euros, com dois milhões de euros de comparticipação através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A obra procurou manter as características arquitetónicas do antigo mosteiro.

A madeira como memória de Paredes

A criação do museu procura também dar uma dimensão cultural à atividade que marcou a economia do concelho.

Paredes é um território fortemente ligado à indústria do mobiliário e o novo equipamento pretende precisamente estabelecer uma ligação entre essa história industrial, os saberes tradicionais associados à madeira e a criação contemporânea.

A III BIAMP surge como a primeira grande programação a ocupar o novo espaço. Além da exposição “Filhos da Terra, Filhos da Floresta”, estão previstas iniciativas de teatro, música, visitas guiadas, conversas, etnografia, poesia e outras atividades até 30 de novembro.

Entre os próximos momentos no Museu do Mobiliário está a apresentação da peça “Mulheres Móveis”, da companhia Astro Fingido, esta quarta-feira, 30 de setembro, às 21h30, além de diferentes visitas e conversas previstas ao longo dos próximos dois meses.

A exposição “Filhos da Terra, Filhos da Floresta” tem entrada gratuita, mediante registo, e pode ser visitada durante o horário de funcionamento do Museu do Mobiliário de Paredes, no Mosteiro de Vilela.

A inauguração oficial do Museu do Mobiliário está prevista para meados de outubro.

Fotos: Município de Paredes

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