A iniciativa SOS Sapos na Estrada voltou à N‑207, na freguesia do Torno, para uma nova noite de monitorização num dos troços mais críticos para a migração reprodutiva de anfíbios junto ao rio Sousa. A ação, realizada em abril, permitiu avaliar a intensidade da atividade destas espécies e o impacto das infraestruturas rodoviárias na sua sobrevivência.

Monitorização revela diversidade e atividade elevada
Ao longo da patrulha foram resgatados 20 anfíbios de várias espécies, entre elas o sapo‑comum‑espinhoso (Bufo spinosus), o tritão‑de‑ventre‑laranja (Lissotriton boscai), a rã‑verde (Pelophylax perezi) e a rã‑de‑focinho‑pontiagudo (Discoglossus galganoi). Os números confirmam a diversidade ecológica local e a forte mobilidade típica da época reprodutiva.
A ação contou com 22 participantes, incluindo cinco cidadãos que se juntaram espontaneamente ao grupo ao encontrarem a iniciativa no local — um sinal do crescente envolvimento comunitário em ações de conservação.

Sensibilização rodoviária e um dado preocupante
Durante a noite, cerca de 150 condutores foram sensibilizados para a necessidade de reduzir a velocidade e reforçar a atenção em noites húmidas, quando a atividade dos anfíbios atinge o seu pico.
O registo de 58 anfíbios atropelados no troço monitorizado, ainda que não exclusivamente naquela noite, evidencia o impacto acumulado das estradas sobre estas populações. Recorde‑se que uma fêmea de sapo‑comum‑espinhoso pode depositar até 8 mil ovos, o que torna cada perda particularmente significativa.
Fotos: Município de Lousada

Mitigação necessária
Os resultados reforçam a urgência de implementar medidas estruturais de mitigação, como passagens para fauna, e de manter ações regulares de monitorização e sensibilização.
A organização deixou um agradecimento a todos os participantes, sublinhando a importância da conservação ativa no terreno para proteger a biodiversidade local.
