A viola que nasceu entre as mãos de um construtor de Felgueiras vai ouvir-se no Mosteiro de Pombeiro

Rui Fernandes Quarteto leva a viola amarantina ao Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro no dia 26 de setembro, num concerto integrado nas Jornadas Europeias do Património

Há uma viola com raízes na identidade cultural da região, um construtor de Felgueiras e um dos mais importantes monumentos do concelho. No dia 26 de setembro, estes elementos vão encontrar-se no Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, onde a viola amarantina será protagonista de um espetáculo musical que pretende cruzar tradição e criação contemporânea.

O concerto “Para Dois Corações”, pelo Rui Fernandes Quarteto, está marcado para as 21 horas e integra a programação das Jornadas Europeias do Património, promovidas no concelho de Felgueiras nos dias 19 e 26 de setembro.

A iniciativa pretende colocar em destaque a viola amarantina, instrumento musical que foi também concebido pela mão do construtor felgueirense António Vieira, estabelecendo uma ligação direta entre o património musical, o saber-fazer artesanal e a identidade local.

Uma viola tradicional numa linguagem contemporânea

O espetáculo parte de uma abordagem que procura levar a viola amarantina para além do contexto tradicional.

O repertório apresentado pelo quarteto é construído a partir de originais de Rui Fernandes, procurando integrar o instrumento numa dinâmica musical contemporânea e, dessa forma, contribuir para a sua valorização e divulgação.

A viola amarantina assume, assim, o papel central numa formação que junta diferentes instrumentos e linguagens musicais.

Além de Rui Fernandes, na viola amarantina, o quarteto é composto por Pedro Neves, no piano, Miguel Ângelo, no contrabaixo, e Miguel Sampaio, na percussão.

A combinação procura criar uma nova leitura para um instrumento associado à tradição musical da região, colocando-o num contexto artístico diferente daquele em que habitualmente é reconhecido.

Património dentro do património

A escolha do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro acrescenta outra dimensão ao espetáculo.

Classificado como património de elevado valor histórico e arquitetónico, o Mosteiro constitui um dos elementos mais marcantes da identidade patrimonial de Felgueiras. A realização do concerto naquele espaço permite associar o património edificado à música e ao artesanato, numa iniciativa pensada para valorizar diferentes expressões da identidade concelhia.

É precisamente esse cruzamento que está na base da programação das Jornadas Europeias do Património: aproximar o público do património local através de diferentes manifestações culturais.

Neste caso, a proposta passa por colocar lado a lado um monumento histórico, um instrumento musical de tradição regional e o trabalho artesanal associado à sua construção, levando-os para um mesmo palco.

Uma nova vida para a viola amarantina

O espetáculo pretende ainda mostrar que a preservação de um instrumento tradicional não passa necessariamente por o manter fechado no passado.

Ao integrar a viola amarantina num repertório original e numa formação contemporânea, Rui Fernandes Quarteto propõe uma abordagem que procura dar-lhe uma nova dimensão artística, mantendo a ligação à sua identidade e às suas características.

A presença do construtor felgueirense António Vieira na história deste instrumento acrescenta também uma componente de proximidade à iniciativa, estabelecendo uma ligação entre o património cultural regional e o conhecimento transmitido através do trabalho artesanal.

No dia 26 de setembro, essa ligação será levada até ao Mosteiro de Pombeiro, num concerto em que a música contemporânea servirá de ponto de encontro entre tradição, território e património.

O espetáculo “Para Dois Corações”, pelo Rui Fernandes Quarteto, realiza-se às 21 horas, no Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, integrado nas comemorações das Jornadas Europeias do Património.

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