Estudo adverte: escola começa demasiado cedo para o cérebro dos adolescentes

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Quase metade dos adolescentes dorme menos do que deveria, e isso pode estar a ter um impacto direto no rendimento escolar, na saúde mental e até na forma como o cérebro processa a aprendizagem.

Vários estudos internacionais têm vindo a reforçar uma ideia simples, mas com grande peso: os horários escolares atuais podem não estar alinhados com o relógio biológico dos adolescentes.

Durante a adolescência, o organismo sofre alterações hormonais que fazem com que o sono surja mais tarde. Em termos práticos, o cérebro “desliga” mais tarde à noite e demora mais a atingir o estado de alerta total de manhã. Resultado: às primeiras horas do dia, muitos alunos estão ainda longe do seu pico de desempenho.

Essa diferença pode ser decisiva. Investigação realizada em diferentes países indica que atrasar o início das aulas em cerca de uma hora está associado a melhorias na atenção, na memória e até nos resultados a disciplinas como Matemática e Inglês.

Em alguns casos, os efeitos são quase imediatos: menos sonolência em sala de aula, maior capacidade de concentração e até menos atrasos.

Um problema que está a crescer em Portugal

A realidade nacional parece seguir na direção oposta. Dados recentes apontam para um aumento significativo do défice de sono entre os jovens. Em vários grupos etários, a maioria dos alunos não atinge sequer as horas de descanso recomendadas.

No 12.º ano, por exemplo, muitos estudantes dormem em média menos de sete horas por noite — quando seriam necessárias cerca de nove a dez para um desenvolvimento saudável nesta fase.

Ao mesmo tempo, tem-se verificado uma tendência crescente de utilização excessiva de ecrãs, sobretudo à noite, o que atrasa ainda mais a hora de adormecer e agrava a qualidade do sono.

Ecrãs e sono: uma combinação crítica

Mais de metade dos adolescentes passa várias horas por dia em frente a dispositivos digitais, com uma percentagem relevante a ultrapassar mesmo as dez horas diárias ao fim de semana.

A exposição prolongada à luz dos ecrãs interfere com a produção de melatonina, a hormona responsável pelo sono, o que leva a um ciclo difícil de quebrar: adormecer mais tarde, dormir menos e acordar demasiado cedo.

O impacto na escola (e não só)

Especialistas em sono têm alertado que este desfasamento entre biologia e horários escolares pode estar a afetar não apenas o desempenho académico, mas também o equilíbrio emocional dos adolescentes.

Menos horas de sono estão associadas a maior irritabilidade, menor capacidade de foco e maior vulnerabilidade ao stress e à ansiedade.

Mudar horários pode ser parte da solução

Algumas experiências internacionais e projetos-piloto em escolas europeias e norte-americanas têm testado entradas mais tardias. Em vários casos, os resultados apontam para melhorias no rendimento escolar e no bem-estar dos alunos.

Em Portugal, já houve iniciativas pontuais nesse sentido, com feedback positivo de professores e alunos, sobretudo ao nível da concentração e da dinâmica em sala de aula.

Ainda assim, o tema levanta desafios práticos: conciliar horários familiares, transportes e atividades extracurriculares.

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