As Associações Humanitárias dos Bombeiros Voluntários de Paços de Ferreira e de Santo Tirso vieram esta segunda-feira desmentir, de forma pública, as declarações proferidas por Hernâni Carvalho no programa Casa Feliz, da SIC, acusando o comentador de ter difundido informações sem correspondência com a realidade sobre o combate ao incêndio que afetou as zonas da Reguenga e de Penamaior.
Durante a emissão televisiva, Hernâni Carvalho afirmou que os comandantes das duas corporações teriam sido vistos “à pancada” e que os bombeiros terão permanecido cerca de duas horas parados à espera de uma decisão de comando.
As declarações motivaram uma reação imediata das duas corporações, que negam categoricamente qualquer incidente entre os responsáveis operacionais.
No comunicado divulgado pela Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Paços de Ferreira, a direção classifica as afirmações como “falsas, infundadas e absolutamente repudiadas”, esclarecendo que “não ocorreu qualquer confronto físico, verbal ou institucional entre os Comandantes de Paços de Ferreira e de Santo Tirso”.
A associação acrescenta que “a coordenação entre ambos decorreu de forma harmoniosa, serena, articulada e sem qualquer incidente”, rejeitando igualmente a alegação de que os operacionais tenham permanecido inativos.
Segundo o comunicado, “é igualmente falso que os operacionais tenham estado parados durante duas horas à espera de decisão do comando”, sublinhando que “o combate ao incêndio desenvolveu-se com coordenação permanente entre as frentes de Reguenga e Penamaior, com atuação operacional efetiva, organizada e ajustada às circunstâncias do teatro de operações”.
A direção dos Bombeiros de Paços de Ferreira considera ainda “particularmente grave” que, “num programa televisivo de âmbito nacional, sejam difundidas afirmações desta natureza, sem correspondência com a realidade, atingindo injustamente o bom nome, a honra profissional e a credibilidade dos Comandantes, das Corporações envolvidas e dos bombeiros que estiveram no terreno ao serviço das populações”.
No mesmo comunicado, a associação anuncia que irá exercer junto da SIC o direito de resposta e de retificação, reservando-se igualmente “o direito de recorrer a todos os meios legais adequados para defesa do bom nome da Instituição, do seu Comandante e dos seus operacionais”.
Também a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Santo Tirso divulgou um esclarecimento, no qual rejeita integralmente a versão apresentada pelo comentador.
A direção e o comando da corporação afirmam que “tal informação não corresponde à verdade”, garantindo que “em momento algum existiu qualquer tipo de desentendimento ou tensão entre aqueles dois operacionais, nem entre elementos dos comandos das duas corporações”.
Pelo contrário, acrescentam, “existiu total cooperação entre ambos os comandantes, como não poderia deixar de ser, num espírito de profissionalismo, entreajuda e missão”.
No comunicado, os Bombeiros de Santo Tirso dizem desconhecer “a origem de tais alegações, que nunca corresponderam à realidade”, lamentando que o nome da corporação “seja envolvido numa mentira tão grave, cujo propósito não conseguimos compreender”.
A terminar, deixam uma mensagem de defesa da instituição e dos seus operacionais: “Vivemos dias extremamente difíceis. O fogo destes últimos dias marcou-nos profundamente. Mas jamais permitiremos que o nosso bom nome seja chamuscado por informações falsas. A verdade será sempre reposta.”
As reações das duas corporações surgem poucas horas depois das declarações de Hernâni Carvalho na SIC, que foram proferidas nestes termos:
“Queria mandar um abraço para os bombeiros todos de Portugal, porque enquanto andamos aqui em festejos da bola, eles continuam a apagar fogos.
Já agora queria dizer-te que se morrer uma única pessoa, ou uma pessoa ficar ferida, por causa dos seus comandantes não se entenderem é a prova de que não vale a pena ter atenção com os seus comandantes, quando não prestam não prestam mesmo.
Eu passei pela vergonha de ver dois comandantes à pancada um com o outro e o fogo a andar e passei pela vergonha de ver bombeiros horas à espera de chamada depois dos senhores comandantes andarem à pancada para decidir quem é que tinha razão.
É isto que faz com que depois, nas horas da verdade, quando se está nos gabinetes a decidir o futuro, as pessoas tenham a lata e coragem para dizer que não vale a pena.
De facto não vale a pena quando eles em vez de andarem a apagar fogos andam à pancada uns com os outros.
É uma vergonha. Santo Tirso está triste e Paços de Ferreira também. Tenham vergonha na cara.“

