Luís Miguel Oliveira Tadeu Silva, natural de Parada de Todeia, terminou o ensino secundário com 20 valores e tinha classificação para entrar em Medicina. Foi olímpico de Física, pianista, campeão ibérico de Tetris e acabou por escolher o curso que sempre o motivou.
Luís Tadeu tinha praticamente todas as portas abertas. Com uma média de 20 valores no ensino secundário, classificação suficiente para entrar em Medicina e resultados de excelência em várias áreas, podia ter seguido um dos caminhos mais tradicionais para um aluno com o seu percurso. Escolheu outro. O jovem de Parada de Todeia ficou colocado em segundo lugar em Engenharia Aeroespacial na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e é para o céu que pretende agora apontar o futuro.
A decisão ganha ainda maior significado porque Luís tinha classificação para entrar em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, bem como em Medicina Dentária na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto e na CESPU. Foi também admitido na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo.
Numa família ligada à área da saúde, a escolha acabou por representar uma mudança de caminho. Luís será o primeiro futuro engenheiro da família, depois de decidir seguir uma área que o aproximava de uma das suas grandes paixões: a Física.
Um percurso marcado pelos 20 valores
O desempenho académico ajuda a perceber a dimensão da escolha. Luís terminou o ensino secundário com 20 valores e repetiu a classificação máxima nos exames nacionais de Física e Química A e de Biologia e Geologia. Em Matemática A, alcançou 19,5 valores.
A Física acabou por assumir um lugar especial no percurso do jovem paredense. Luís integrou a seleção portuguesa que participou na 56.ª Olimpíada Internacional de Física, realizada entre 4 e 12 de julho, em Bucaramanga, na Colômbia, numa competição que reuniu estudantes de mais de 80 países.
Para chegar à seleção nacional, participou no processo de apuramento promovido pelo Projeto Quark!, da Sociedade Portuguesa de Física e do Departamento de Física da Universidade de Coimbra, terminando em terceiro lugar.
A preparação para a competição internacional incluiu seis sessões mensais intensivas na Universidade de Coimbra e duas provas de elevada exigência, uma teórica e outra experimental, ambas com quatro horas de duração.
Na Colômbia, Luís teve assim a oportunidade de representar Portugal numa das principais competições internacionais de Física destinadas a estudantes do ensino secundário.
Entre o piano, o Tetris e o padel
Mas reduzir Luís Tadeu às notas seria deixar de fora uma parte importante da história.
Paralelamente ao percurso académico, concluiu o Conservatório de Música com 20 valores e desenvolveu atividade enquanto pianista. Integra o grupo musical Artischtas, conciliando ensaios e concertos com uma rotina escolar particularmente exigente.
Também encontrou tempo para a participação cívica, através do Parlamento dos Jovens, e para a competição desportiva. No Tetris, chegou a ser campeão e vice-campeão ibérico.
E, apesar de tudo o que ocupava os seus dias, havia ainda espaço para o convívio com amigos e família e para o habitual jogo semanal de padel.
A capacidade de conciliar tantas atividades acabou por ser uma das marcas do seu percurso. Física, Matemática, música, cidadania, competição e lazer coexistiram durante os últimos anos, sem que Luís abdicasse dos objetivos académicos.
Um ano difícil antes de um novo começo
O caminho até à entrada na universidade foi também feito num período particularmente difícil para a família. Ao longo do último ano, Luís enfrentou a morte do avô e da bisavó.
A perda do avô teve um significado especial. Era, nas palavras do próprio jovem, “o meu companheiro de armas”.
Mesmo num ano marcado por essas perdas, Luís conseguiu manter o foco e concretizar a entrada no curso que escolheu.
Agora, começa uma nova etapa. A Engenharia Aeroespacial será o próximo desafio de um percurso que começou em Parada de Todeia e que já levou o jovem paredense a representar Portugal numa competição científica internacional.
Luís tinha notas para seguir Medicina. Tinha também outras portas abertas. Escolheu, porém, não seguir o caminho mais previsível. Escolheu aquilo que o motivava e decidiu olhar para o céu.

