A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-NORTE) apresentou esta quarta‑feira as conclusões do estudo “Avaliação do Desempenho da Região Norte em Matéria de Emissões de Gases com Efeito de Estufa”, num webinar que reuniu mais de 200 participantes, entre especialistas, autarcas, técnicos municipais, entidades regionais, ONG e cidadãos.
O trabalho, considerado inovador em Portugal pelo nível de detalhe territorial, analisa a evolução das emissões entre 2005 e 2023 e projeta cenários até 2030 e 2050, reforçando o acompanhamento dos Planos Municipais de Ação Climática e a capacidade de decisão local.
Segundo o professor Francisco Ferreira, da NOVA FCT, que apresentou os resultados, a Região Norte registou uma redução global de cerca de 20% das emissões em 2023 face a 2005. Para 2030, prevê‑se uma descida de 45%, ainda abaixo da meta nacional de 55% definida na Lei de Bases do Clima.

Transportes lideram emissões e são o maior desafio
Em 2023, os setores dos Transportes, Energia e Indústria concentraram 73% das emissões regionais. Os Transportes, responsáveis por 45% do total, continuam a ser o principal obstáculo à descarbonização, com reduções previstas de apenas 24% até 2030, longe da meta nacional de 40%. O setor tem vindo a aumentar emissões desde 2018, com exceção do período da pandemia.
Energia, Indústria e Serviços com maior potencial de redução
O estudo aponta para reduções de 74% nos setores da Energia e Indústria até 2030. Nos Serviços, a diminuição poderá atingir 76%, embora com impacto reduzido no total regional.
Na Indústria, a redução acumulada até 2023 foi de 41%, influenciada pela desativação da refinaria de Matosinhos. A descarbonização futura dependerá da eletrificação de processos, substituição do gás natural por gases renováveis e ganhos de eficiência energética, permitindo uma redução estimada de 63%.
Na produção de eletricidade e vapor, prevê‑se uma queda de 92% até 2030, com a eliminação progressiva das centrais a gás natural até 2040 e o reforço das renováveis.
Ferramenta estratégica para políticas públicas
A vice‑presidente da CCDR-NORTE, Célia Ramos, afirmou que o estudo “constitui um instrumento fundamental para orientar políticas públicas regionais e acelerar a transição climática”. Já Paula Pinto, diretora da Unidade de Ambiente, destacou que os resultados “permitem identificar com precisão os setores onde é mais urgente reforçar o investimento e a ação em descarbonização”.
Célia Ramos acrescentou que o estudo, aliado à visão estratégica do PROT Norte, será base para o Plano Regional de Ação Climática do Norte, que combinará redução de emissões, adaptação a riscos climáticos e promoção de investimentos verdes, envolvendo municípios, empresas e sociedade civil.
O relatório posiciona a Região Norte como peça decisiva nas metas nacionais de descarbonização para 2030 e 2050.
O documento completo pode ser consultado em: www.ccdr-n.pt.
