No Dia Mundial do Teatro, celebrado esta sexta-feira, faz sentido olhar para quem vive esta arte de dentro para fora. Para Rita Leal, atriz e membro ativo do grupo de teatro ‘Os Expansivos’, de Lordelo, o teatro é uma experiência humana que transforma quem sobe ao palco e quem assiste.
O teatro como experiência humana
Para Rita Leal, o teatro é muito mais do que representar. É sentir, aprender e crescer com cada personagem.
“O Teatro para mim não é apenas entretenimento, onde posso fugir um pouco das minhas rotinas e dedicar algum tempo àquilo que gosto de fazer! Na verdade é uma experiência humana, um espaço onde os sentimentos e emoções ganham voz, um desafio ao encarnar personagens diferentes daquilo que somos! Faz-nos crescer, ajuda-nos a posicionar em frente a um grande público! Tem uma influência muito grande na minha relação com a cultura na medida em que me aproxima de culturas, tradições, costumes e problemas sociais de diferentes épocas e sociedades. Contribui para conhecimento de escritores, autores! Permite-nos pesquisar sobre personagens, convida-nos a ir ao Teatro para que possamos evoluir como ‘atores’!”

O papel do teatro amador em Lordelo
O grupo ‘Os Expansivos’ mostra como o teatro amador aproxima a comunidade da cultura. Rita Leal considera que este tipo de teatro tem um papel fundamental:
“O teatro amador tem um papel muito importante na sociedade e na cultura. Na verdade, muitas vezes! ‘Os Expansivos’ tem conseguido aproximar as pessoas e a comunidade do Teatro. Tem sido já o hábito de encher auditórios, oferecer às pessoas um bom momento de Teatro! Um momento bem divertido ao qual já habituamos o nosso público! Contribuímos ainda com várias associações, em que a receita reverte a 100% para estas! Para nós é um orgulho aquilo que fazemos! Em Lordelo e arredores: podemos dizer que somos uma referência!”
“O teatro amador tem um papel muito importante na sociedade e na cultura”
O entusiasmo da atriz mostra que a relação com o público é tão importante quanto os ensaios e apresentações. Criar hábitos de ida ao teatro e oferecer momentos de diversão e cultura à comunidade é uma prioridade para o grupo.
Desafios de um grupo amador
Gerir um grupo de teatro amador tem muitas dificuldades, sobretudo financeiras e logísticas. Rita Leal descreve tudo com franqueza:
“Desafios? Vários, mas o que mais nos podia realmente ajudar crescer, passa sempre pela necessidade financeira! Podermos atuar de forma independente, para conseguir presentear o público com mais peças ao longo do ano. Uma carrinha para transportar cenários e afins aos locais de onde surgem os convites! Penso que seriam pontos importantes para o nosso crescimento! Até ao momento além de atores, somos os faz-tudo: preparamos as nossas roupas, preparamos os cenários, transportamos em carrinhas emprestadas, até ensaiamos sozinhos! Mas somos muito felizes!”
Sublinha ainda que cada apresentação é fruto de esforço coletivo e dedicação, desde figurinos e cenários até ensaios individuais, reforçando a paixão que move o grupo.
“Ainda há muito a fazer na área do Teatro”
Como valorizar mais a cultura e o teatro
Para Rita Leal, ainda há muito a fazer na área do teatro, e várias medidas poderiam fortalecer a cena cultural local:
“Ainda há muito a fazer na área do Teatro! De forma resumida, acredito na importância de investir financeiramente; garantir espaços de criação; oferecer formação artística; aumentar a divulgação; envolver escolas e comunidades; incentivar parcerias culturais. É importante que o teatro se torne parte da vida cultural quotidiana.”

Mensagem aos jovens que querem entrar no teatro
Rita Leal é também uma impulsionadora de novos talentos, ajudando crianças e jovens a descobrir o palco e a cultura.
“Eu sou uma forte impulsionadora nas áreas das artes e gosto de ajudar os mais pequenos a concretizarem talentos! Já tenho uma sobrinha a partilhar o Palco comigo, já tive a oportunidade de partilhar palco com a minha afilhada, e tenho uma filha que está no articulado de Teatro! O que lhes digo? O teatro é um lugar onde podemos descobrir quem somos enquanto experimentamos ser outras pessoas. No palco vamos aprender a ouvir, a sentir, a trabalhar em equipa e a olhar o mundo com mais empatia. Não tenham medo de errar: no teatro, o erro também faz parte da arte. O mais importante é participar, arriscar e aproveitar o processo.”
Neste Dia Mundial do Teatro, fica claro que o teatro amador em Lordelo vai muito além de encenações. É um espaço de criação, aprendizagem e comunidade, e pessoas como Rita Leal mostram que a arte transforma vidas, tanto de quem sobe ao palco como de quem assiste.
