O diretor da Pastoral do Turismo – Portugal defende que a tecnologia deve ajudar os visitantes a compreender o património religioso e as comunidades que lhe dão vida.
O padre Miguel Lopes Neto alertou para o risco de igrejas e santuários serem apresentados nas plataformas digitais apenas como locais para fotografar, sem referência à sua história e função religiosa. O aviso consta de uma mensagem divulgada por ocasião do Dia Mundial do Turismo, assinalado a 27 de setembro.
Num texto intitulado «Uma igreja não é um cenário», o diretor da Pastoral do Turismo – Portugal afirma que os algoritmos podem concentrar visitantes nos destinos mais populares e deixar fora dos roteiros pequenas capelas, romarias e comunidades locais.
O sacerdote reconhece que a tecnologia pode melhorar a acessibilidade e ajudar a distribuir os visitantes. Pede, porém, formação para quem produz roteiros e conteúdos turísticos, de modo a evitar erros e a explicar o significado dos lugares de culto.
A reflexão acompanha a mensagem do Dicastério para a Evangelização para a 47.ª Jornada Mundial do Turismo, dedicada à inteligência artificial e à transformação digital. O documento destaca as oportunidades destas ferramentas, mas alerta para a exclusão digital, o uso indevido de dados e a perda do contacto pessoal durante a viagem.
Miguel Lopes Neto apela aos responsáveis por igrejas e santuários para que contem a história dos seus espaços, às entidades de turismo para que expliquem a sua função e às escolas do setor para que formem «intérpretes, não apenas promotores».
Por: Sérgio Carvalho (sergiocarvalho@jornal360.pt)

