O novo presidente da Associação Empresarial de Paços de Ferreira (AEPF), Cláudio Pereira, é o primeiro convidado do “360 à Conversa”, o novo espaço do Jornal360. Numa entrevista que marca o arranque do podcast, o empresário fala sobre o futuro da indústria e do comércio local, a inteligência artificial, a falta de mão de obra e a necessidade de aproximar a associação do tecido empresarial do concelho.
“Uma associação próxima dos empresários” é a ideia que Cláudio Pereira coloca no centro do novo ciclo da AEPF. Eleito recentemente para a presidência da associação, o empresário defende uma estrutura capaz de transformar as necessidades das empresas em respostas concretas e de acompanhar mais de perto a realidade dos diferentes setores.
Na conversa com o Jornal360, Cláudio Pereira rejeita a ideia de que Paços de Ferreira possa ficar limitado à imagem de “Capital do Móvel”. O setor continua, na sua perspetiva, a ser uma marca essencial do concelho, mas existe hoje uma realidade empresarial mais diversificada, com empresas ligadas à metalomecânica, tecnologia, serviços e comércio.
“A capital do móvel é a nossa identidade, mas não o limite da nossa ambição.”
O futuro da Capital do Móvel
A evolução do mercado também leva o presidente da AEPF a questionar a necessidade de recuperar os antigos modelos de promoção do setor, nomeadamente as grandes feiras que durante décadas colocaram Paços de Ferreira no centro da atividade comercial do mobiliário.
Para Cláudio Pereira, a questão já não deve ser simplesmente recuperar a feira, mas perceber qual é atualmente o melhor instrumento para promover as empresas e a marca Capital do Móvel.
Eventos de nova geração, internacionalização, ferramentas digitais e novas formas de comunicação poderão fazer parte dessa estratégia.
O responsável recorda, neste contexto, o BFF, iniciativa que trouxe a Paços de Ferreira oradores internacionais e colocou em cima da mesa temas como a inteligência artificial, a robótica e a inovação ligada ao setor do mobiliário.
A ideia passa agora por apostar em iniciativas menos regulares, mas com maior capacidade de impacto.
Empresas enfrentam dificuldade em recrutar
A falta de trabalhadores foi outro dos temas abordados no primeiro episódio do “360 à Conversa”.
Cláudio Pereira identifica uma combinação de fatores que dificultam o recrutamento, desde a demografia às qualificações, passando pela necessidade de tornar algumas profissões mais atrativas.
Mas considera que também existe uma responsabilidade das próprias empresas, nomeadamente na melhoria das condições de trabalho, dos processos, da produtividade e da capacidade de retenção.
A formação surge igualmente como uma área essencial, com o presidente da AEPF a defender uma aproximação maior entre empresas, escolas e centros de formação.
E deixa uma mudança de paradigma: os jovens não devem ser convidados a escolher “a indústria de ontem”, mas conhecer aquilo que será “a indústria de amanhã”, marcada pela tecnologia, automação, design, robótica, dados e inteligência artificial.
Inteligência artificial como oportunidade
A inteligência artificial ocupa igualmente um espaço importante na conversa.
Cláudio Pereira reconhece que a tecnologia vai provocar alterações profundas em várias funções e que algumas tarefas poderão desaparecer, mas rejeita uma visão exclusivamente negativa.
Para o presidente da AEPF, a inteligência artificial deve ser encarada sobretudo como uma ferramenta de produtividade e competitividade.
A mudança poderá ser particularmente relevante para as pequenas e médias empresas, que passam a ter acesso a ferramentas que anteriormente estavam sobretudo ao alcance das grandes organizações.
O problema, admite, é que muitas empresas ainda não sabem por onde começar. É precisamente nesse ponto que vê um papel para a associação empresarial: informar, formar, apresentar casos práticos e ajudar os empresários a dar os primeiros passos.
Comércio local quer juntar rua e digital
O projeto “Bairro Capital de Móveis”, desenvolvido pela AEPF em articulação com a Câmara Municipal, é outro dos temas abordados na entrevista.
A iniciativa pretende trabalhar o comércio local enquanto ecossistema, através da digitalização, comunicação, experiência do consumidor e ligação entre comerciantes.
O objetivo, explica Cláudio Pereira, não é apenas digitalizar as lojas, mas criar condições para trazer mais pessoas ao comércio e aumentar a atividade.
A estratégia passa por combinar a proximidade que caracteriza o comércio tradicional com ferramentas digitais que permitam comunicar com os clientes, divulgar os estabelecimentos e potenciar a sua visibilidade.
“Não tem que escolher entre a rua e o digital”, defende.
“Trazer a associação para os empresários”
Para o novo presidente da AEPF, uma das principais mudanças deverá estar precisamente na relação entre a associação e as empresas.
Cláudio Pereira admite que gostaria de chegar ao final do mandato com uma associação que fosse reconhecida pelos empresários como um parceiro capaz de responder às suas dúvidas e necessidades.
A visão passa por uma AEPF mais tecnológica, mais rápida e com capacidade para disponibilizar respostas em tempo útil, independentemente da dimensão ou do setor da empresa.
“Eu gostava, daqui por dois anos, que existisse aqui um placar na cidade com o número da associação empresarial”, afirma, dando como exemplo um empresário que tenha uma dúvida e saiba imediatamente a quem recorrer.
A ambição, resume, é fazer com que a associação deixe de esperar que os empresários se desloquem até si e passe a levar os seus serviços e capacidades até às empresas.
Primeiro episódio do “360 à Conversa”
A entrevista a Cláudio Pereira marca o lançamento do “360 à Conversa”, novo espaço do Jornal360 dedicado a conversas com pessoas e à discussão de temas que marcam a atualidade da região e do país.
O primeiro episódio foi gravado no INOTEL Paços de Ferreira e já está disponível no canal de YouTube do Jornal360.
▶️ Veja aqui a entrevista completa com Cláudio Pereira:
O “360 à Conversa” regressará em breve com novos convidados e novas conversas.

