Novo coordenador técnico fala ao Jornal 360 sobre o projeto que pretende implementar no clube e assume 2026/27 como o “Ano 0” de uma nova etapa
“Este será o ‘Ano 0’, ou seja, o ano do reinício.” É assim que Diogo Machado define o momento atual do futebol de formação da AD Lousada. O novo coordenador técnico assume um projeto de longo prazo, assente na reorganização do departamento, na estabilidade dos processos e na criação de uma identidade comum a todos os escalões.
Em entrevista exclusiva ao Jornal 360, Diogo Machado explica as razões que o levaram a aceitar o desafio e revela as linhas orientadoras para uma nova etapa num clube que conta atualmente com cerca de 400 atletas e mais de 20 equipas.
“As primeiras semanas exigiram muitas horas de trabalho árduo”
O convite partiu da direção da AD Lousada, com o objetivo de reorganizar e reestruturar o departamento de formação. Diogo Machado aceitou o desafio por entender que é através de novos desafios que também se constrói o crescimento profissional e pessoal.
“Acredito que é nos desafios que evoluímos e crescemos profissionalmente e pessoalmente. O convite foi-me dirigido pela direção do clube, no sentido de reorganizar e reestruturar o departamento de formação”, explica.
O responsável destaca ainda as condições existentes no clube: “Num clube com esta dimensão e grandeza, com as infraestruturas ideais, aceitei o desafio com a convicção que serei uma mais-valia para o atingimento dos objetivos da direção para o AD Lousada”, acrescenta.
Os primeiros contactos com a realidade do clube deram lugar a um período de análise e preparação. “As primeiras semanas exigiram muitas horas de trabalho árduo para um conhecimento aprofundado dos circuitos e trabalho realizado anteriormente. Primeiramente houve a preocupação urgente em identificar as necessidades imediatas e a curto/médio prazo.”
A partir daí, avançou o planeamento da época 2026/27, num processo que envolveu também a definição das equipas técnicas e a contratualização de atletas e restantes elementos.

“Clareza, solidez e estabilidade”
Questionado sobre as principais mudanças que pretende implementar, Diogo Machado aponta três ideias centrais. “As principais mudanças passam por: clareza e transparência para os envolvidos no projeto; solidez na reconstrução e reorganização do departamento de formação e estabilidade nos processos”, afirma.
O coordenador técnico deixa, contudo, um alerta para a necessidade de tempo. “As mudanças exigem tempo, adaptação e estabilidade… os resultados só poderão ser visíveis se houver continuidade no projeto.”
Uma filosofia que ganha ainda maior importância tendo em conta a dimensão da AD Lousada. “Para nós coordenação e direção, digamos que este será o ‘Ano 0’, ou seja, o ano do reinício”, explica.
“Reorganizar um Clube com esta dimensão exige tempo e estabilidade para todos os envolvidos estarem com o mesmo compromisso e com focos e direções sincronizadas. Ter o ‘grupo em sintonia’ será fundamental para o sucesso pretendido.”
Uma metodologia comum dos mais jovens aos juniores
Uma das prioridades passa pela uniformização da metodologia de treino ao longo de toda a formação. A intenção é que os diferentes escalões trabalhem dentro de uma identidade comum, criando uma ligação entre as primeiras etapas de formação e o alto rendimento.
“A uniformização das metodologias de treino prende-se com a necessidade da criação de procedimentos e protocolos de treino, que visem a identidade do AD Lousada desde as camadas mais jovens ao alto rendimento”, explica.
O sonho dos campeonatos nacionais
A ambição está assumida. Diogo Machado considera que o AD Lousada deve procurar chegar aos campeonatos nacionais, mas não coloca esse objetivo numa lógica imediatista. “O projeto foi delineado a longo prazo. Queremos estabilidade e solidez no AD Lousada, para que aquando do atingimento dos patamares mais altos, tenhamos solidez para nos mantermos.”
E o que falta para dar esse passo?
“Na minha perspetiva, para ‘voar mais alto’ é necessário o que já referi anteriormente… clareza, solidez e estabilidade.”

A experiência de Vitória SC e FC Paços de Ferreira
Diogo Machado chega a Lousada depois de experiências no Vitória SC e no FC Paços de Ferreira, mas garante que o projeto não passa por replicar modelos de outros clubes. “Cada clube tem uma mística, uma história, e as suas ‘gentes’. Aquilo que sou hoje será sempre a soma de todas as vivências e experiências até aqui.”
Entre aquilo que pretende colocar ao serviço do AD Lousada estão sobretudo conhecimentos adquiridos nas áreas da gestão de equipas, liderança e comunicação.
Mas deixa uma garantia: “O trabalho aqui desenvolvido terá em conta o Clube AD Lousada e não os clubes vizinhos… O foco será sempre o nosso Clube e só isso importa.”
“Um Clube é feito de Pessoas para Pessoas”
A recuperação da ligação entre o clube e a comunidade é outro dos objetivos definidos pelo novo coordenador técnico.
Diogo Machado pretende “trazer a vila ao clube” e recuperar o sentimento de pertença em torno da AD Lousada. “Um Clube é feito de Pessoas para Pessoas… São as ‘pessoas’ que dão vida ao campo, às bancadas, a toda a estrutura!”
A estratégia começou, desde logo, pela procura de pessoas de Lousada para integrarem o projeto. “Quisemos dar inicialmente oportunidade às Pessoas de Lousada para virem trabalhar connosco, colaborando no projeto.”
O responsável pretende igualmente estabelecer ligações com o tecido empresarial local. “Seguidamente, pretendemos criar parcerias com os negócios locais, dando visibilidade também ao trabalho cá desenvolvido nas diferentes áreas.”
A ambição vai além do futebol: “O nosso objetivo é dinamizar o clube não só na vertente desportiva como também na vertente social e cultural.”
“Planeamento, organização e identidade”
No final, fica a pergunta sobre a marca que Diogo Machado gostaria de deixar no futebol de formação do AD Lousada.
A resposta resume, em três palavras, toda a filosofia que pretende implementar. “Planeamento, organização e identidade!”

